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"Por que Contar? Por que não contar? Saindo do Caixão (ou não...) "

 

 

 

[originalmente publicado em www.tribosdegaia.org]

O texto a seguir foi inspirado naquele trecho que antecede a abertura de seriados de TV onde os episódios anteriores são rapidamente explicados e atualizam ou apresentam a história até aquele momento...Neste casos, os textos anteriores, estão disponíveis na íntegra neste site que voce está lendo, ou então em www.vampyrismo.org

Lembre-se que estas palavras consistem em uma coletânea de impressões, idéias e conteúdos pesquisados e experienciados desde a década de noventa;

Sendo assim, você pode ler, reler, interpretar, refletir, pensar a respeito, escrever para o autor (officinavampyrica@yahoo.com.br)

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ou ainda esquecer e fazer de conta que nunca leu.


Em nenhum momento tais impressões, idéias foram postadas como forma de limitar, repreender, dogmatizar ou proibir seu direito a liberdade imaginativa.

* "Energia Psiquica" NÃO é exatamente um sinônimo de "energia vital": Este é uma temática com um alto índice de confusões internas e erros de interpretação na Subcultura Vampyrica há alguns anos.

Energia Psiquica:
É o nome dado quando as impressões sensoriais (captadas por nossos sentidos - como tato, olfato, visão, audição por exemplo) torna-se impulso "elétrico" ou "quimico" em nosso cérebro e é decodificado por ele - dessa forma enxergamos, cheiramos, escutamos, sentimos toques e etcs. É um processo físico, que está ocorrendo com você enquanto lê este texto.

Energia Vital: Pertence ao tema da Religião em diversas ancestralidades ao longo da história humana. Apesar de no século XX diversos movimentos tentarem estéticamente dissociarem Energia Vital do Religioso e por sua vez do Ecossistema/natureza - sua exístência, mensuração, acúmulo, perda e afins continuam pertencentes a práticas e atividades invariavelmente religiosas.

Não vale confundir Ecossistema/Universo/Natureza com o uso do termo "natureza/natural" muito empregado pelo "positivismo". Note que no "Positivismo" temos a presença de leis imutáveis naturais, ordem imutável e afins - de forma a confundirem-se com uma visão artificial e idealizada do Ecossistema; O Ecossistema não é um "constructo abstrato" como o que era chamado de "natureza" no positivismo.

O Vampyrismo é por excelência Anti-Positivista e de natureza questionadora com a religião e os baluartes mecanicistas da cultura dominante - assim como outras subculturas.

* Vampyros/Vampyras não são parasitas: A construção da imagem do vampiro como algum tipo de parasita, dependente e mesmo doente - é uma construção de imagem realizada pelos monoteístas, surgida no século XV e reforçada de forma dogmática do século XVII por pseudos pesquisadores católicos e a posteriore por escritores românticos.

Certamente as obras românticas são peças de arte e questionam valores humanos e tabús, pertencendo ao hall de obras imortais e muito respeitadas como estética e inspiração em nossa cena.Os espiritistas (século XVIII) e os ocultistas (século XIX) vão elaboras suas teorias sobre vampiros baseados nesta imagem romântica e nas elaboradas pelos pseudo pesquisadores - e também usarão o termo de forma anacrônica e genérica.

Em suas utilizações mais antigas, etimológicamente pesquisada, o termo Uppyr (base simbólica do Vampire) era usado para designar integrantes de antigos cultos de fertilidade da terra no norte da rússia, entre os eslavos e no leste europeu.

* O tal do Olhar de "Imortal": Estude história, estude cronologia, estude etimologia, estude história da arte, da música, literatura e etcs - não apenas estude, se envolva e se apaixone por estes conteúdos e tenha sempre sede de ver e saber mais - independente da sua faixa etária.

Só assim poderá "alimentar" seu imaginário, seu intuitivo, seu lado noturno e poderá viajar no que irá deduzir e intuir - baseado na aquisição de conhecimentos. Aprenda que o "olhar vampyrico/vampirico" não é ficar estático com olhos esbugalhados no canto do salão.

O ato de olhar incomoda e provoca reações nas pessoas olhadas, estejam elas conscientes ou inconscientes de quem as está olhando. Isto não consiste de nenhum processo "místico";

Na prática trata-se de ação e reação.Uma falha de interpretação é que muitas vezes o/a observado/a começa a se distrair do que estava pensando ou fazendo, e rotula o processo como perda ou roubo de sua energia - realizado por aquele que está a observar. Aqui retornamos a questão mais ou menos comum do romantismo, do pensar-se vítima, do pensar-se "escolhido/a" para vivenciar uma experiência pouco frequente e por aí vai.

* Vampyrismo/vampirismo NÃO é doença e nem problema de chakra: Há uma forte herança romântica nos padrões de identidade da Subcultura Vampyrica e isto é ponto indiscutível.

Não surpreende que hajam tantos Vampyricos e Vampyricas com coração partido em nossa cena e pessoas extremamente sensíveis.Isso se demonsta na estética e até mesmo em algumas imagens mais agressivas visualmente - como uma espécie de gárgula ou carranca para intimidar.

Insegurança, intensidade de sentimentos, incapacidade de lidar socialmente com outros, sensação de inferioridade, arrogância nem sempre são sinônimos de acontecimentos igualmente metáfisicos ou ligados a "Chakras".

Simbólicamente, expressões como "Aperto no Coração", "Dor no peito" não são sinônimos de ataque cardíaco e nem de falhas ou degeneração de chakra - como muitos gurús tentam impor e afirmar como dogma na Subcultura.

Vale também notar que o chakra do peito é o cardíaco e não o coronário - este, fica no topo da cabeça - como alguns mestres acensionados vampiricos encontrados no estacionamento do shopping center ensinam aos seus servos.

* Vampyros não precisam de aprovação ou orientação de morto para realizarem suas práticas: Existem muita confusão na Subcultura sobre este tema - pontuemos apenas que o Vampyrico não relaciona-se com conteúdos ou identidade de diversas religiões catalogadas sobre o termo Espiritista - que tentam afirmar que Vampyricos e mesmo "vampiricos" precisam ou "vem-a-ser" dependentes da orientação espiritual de espiritos de mortos aleatórios que vagam por aí - (note que ao usar o termo "morto" NÃO estou me referindo a ancestrais/heróis de linhas espirituais afro-brasileiras ou guias das religiões Espiritistas e nem a Ancestrais do coração, da arte e do sangue - como em algumas linhas do Neopaganismo).

Em geral, os tais "Mortos" aleatórios tentam encenarem para seus cultistas que são alquimistas, mestres chineses, deuses extraviados e outras coisas que os viventes acreditem em troca de culto. Talvez por isso tenhamos tanta desinformação e confusão sobre história e tanto faz de conta em nossa cena.

Tais espiritos geralmente recebem a alcunha de "Obsessores" nas religiões espiritistas, e algumas vezes são adjetivamente comparados a "vampiros" nestas religiões- sendo este um processo notóriamente adjetivo.

Estes "MORTOS" E estas "PRÁTICAS" de subserviência NÃO POSSUEM RELAÇÃO ALGUMA com o conteúdo de um Vampyrico ou de uma Vampyrica sob nenhuma hipótese e nem da Subcultura Vampyrica em suas duas vertentes (fashionista e neopagã) - este tipo de idéia foi importada para a cena na década de noventa e sempre foi repudiada, dado o aspecto politeísta ou panteista em lidar religiosamente diretamente com os Deuses.

* Vampyros não bebem e não dependem de sangue: Ingestão de Sangue é um fetiche de cunho sexual. Na Subcultura Vampyrica não se ingere sangue por motivos básicos e relacionados principalmente a questão de saúde e segurança.

Não queremos Vampyricos e Vampyricas/vampiricos e vampiricas contraindo AIDS, Hepatite e outras doenças catálogadas e transmissiveis pelo sangue.

Note que o fato de você comer carne malpassada em um churrasco, não o tornam vampyrico e tampouco vampirico - este é apenas um gosto culinário pessoal; Manter relações sexuais durante o período menstrual com a parceira, também não consiste em algo que o torne "Vampyrico/a" ou "vampirico/a".Naturalmente existe a questão do fetiche, mas o que adultos escolhem realizar de forma consensual pertencem apenas aos participantes.

Via de regra, NÃO beba sangue de terceiros e NÃO pratique auto-mutilação.

* Não dá para ser Vampyrico/vampirico e satanista ao mesmo tempo: Simples assim. Basta conferir o capitulo "Nem Todo Vampiro Chupa Sangue" da própria Bíblia Satânica escrita no final da década de sessenta pelo próprio fundador da igreja de satã.

O Satanismo moderno não aceita e nem permite em seu meio qualquer forma ou uso adjetivo associado a vampirico e tampouco Vampyrico. E ainda ameaça "simbólicamente" com estacas quem se relacionar com isso. As palavras são do fundador desta religião e endorsada até os dias de hoje por sua instituição e agregadas.

Existem pessoas que reclamam para sí ou atribuem a elementos históricos ou subculturas, no sentido "adjetivo" a denominação de "Satânico" como forma de criticar, cultuar ou demonstrar oposição aos valores do monoteísmo. Isto não torna um politeísta, um panteísta, um ateu, um integrante da vertente fashionista ou um integrante da vertente neopagã - algo ou alguêm "satânico" sob nenhum aspecto religioso ou devocional - ficando apenas na descrição adjetiva.

* Conde Drácula não foi Vampyro e nem Vampiro: Vlad e seu filho Vlad Tepes foram regentes da Romênia e dos arredóres da Transilvânia, devotos do catolicismo ortodoxo por toda suas vidas, ficaram conhecidos por sua severidade e politica impactante no século XV - época em que quase todos regentes europeus usavam de politicas semelhantes.

O azar de Vlad Tepes foi cair na boca da impressa recém inventada por Gutemberg, devido o fato de perseguir comerciantes germânicos em suas terras.

Note que o personagem de Bram Stocker só foi criado no século XIX e todo seu conteúdo durante o século XX foi o nosso ponto de contato com Drácula, ou seja um contato apenas com o personagem ficcional.

Pesquisas históricas sobre Vlad Tepes só começaram para valer em 1970. Então não misture um personagem histórico com um personagem ficcional.

* O anacronismo em dizer que vampiros surgiram no egito, não surgiram na Suméria e etcs: O conceito que utilizamos de vampirico nos dias de hoje, não é ancestral e não existe desde que o mundo é mundo como é feito parecer pelo senso comum.

Históricamente o conceito do vampiro surge baseado em distorções monoteísticas baseados em relatos difusos sobre antigos cultos de fertilidade da terra que findaram suas atividades entre os séculos X e XII no continente europeu.

Sendo que no século XV já eram boatos e folclore.Note que os pesquisadores do monoteísmo só descobriram ou se interessaram pelos vampiros na idade moderna, por falta de inimigos para atirarem em suas fogueiras públicas.

Então, convêm não confundir temas como alimentação post-mortem, sacrificios, oferendas, cultos aos ancestrais praticados em todos os continentes da Terra em priscas éras - com o que hoje chamamos de vampirico e mesmo "Vampyrico".

* Seth, Tiamat, Dioniso, Camazotz, Mitra e outros Deuses NÃO são Satã e não são vampiros: Resumidamente, Deuses e Deusas existem nas antigas religiões panteístas e politeístas do planeta Terra desde o ínicio de suas respectivas civilizações - para os mais religiosos, eles existem antes - e no decorrer do século XIX e XX houveram significativas confusões homológicas onde tentaram colocar Deuses de tendências mais obscuras ou "pouco sociais" sob o rótulo de vampiricos e afins - alguns grupos com evidente desconhecimento histórico tentaram trazer conteúdos politeístas e panteístas (até mesmo suas Deidades) para interpretações e locações monoteísticas.

Vale então reforçar que Deuses e Deusas não são e nem nunca tiveram nada a ver com "satã" ou com o "satânico" dos monoteísmos.

E finalizando, A Subcultura Vampyrica e a cena vampirica não são sequenciamentos initerruptos das "lendas":Sub-cultura Vampyrica e cena vamp têm lá suas origens no começo da década de setenta através da troca de correspondências entre apaixonados do tema e também de pessoas que tentavam viverem um modo de vida vampyrico/vampirico ao seu jeito. A vertente neopagã deu seus primeiros passos nas proximidade de Washington nos EUA, entre 1972 e 1975 através de encontros e celebrações de solstícios e equinócios.

Em nenhum momento podemos considerar a Subcultura Vampyrica/ cena vamp, seus integrantes e procedimentos fashionistas ou místicos como sequenciamento initerrupto ou reconstrução dos antigos cultos de fertilidade da Terra do século X. Para conhecer mais sobre Subcultura Vampyrica e suas duas vertentes, não deixe de acessar www.vampyrismo.org

Bom, imagino que você tenha ficado com dúvidas ou inspirações se leu este texto. Muitas outras questões básicas e nescessárias podem ser localizadas neste link.

Sente atração e vontade de conhecer outras pessoas, que sentem atração e partilham de um modo de vida Vampyrico? Que tal conhecer a Rede Vampyrica?

Apesar do tom deletério deste e de outros textos, gosto de conversar com os leitores. Se quiser conversar pessoalmente comigo: officinavampyrica@yahoo.com.br

* Creio que este artigo encerra uma longa fase de textos que produzí desde o ano de 2004 (em 2004 celebrava uma década de pesquisa e vivência nesta temática) - uau, já mais são cinco anos pioneiros e initerruptos da produção de artigos sobre Subcultura Vampyrica em português e do desenvolvimento de uma cena baseada em elementos e especificidades locais. Vejamos as novidades e aprofundamentos da nova fase que inicio agora...

PUBLICADO EM 16/02/2009

 

[o conteúdo deste texto pode ser ampliado e revisado com sua colaboração através do mail: officinavampyrica@yahoo.com.br ]


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Anteriormente nesta coluna... by Lord A:. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
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