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"A Vampe "

 

Lord A:.

 

[originalmente publicado em www.tribosdegaia.org]

Certamente eu sei como Vampyrico e como Strigoi que os cultos a Aphrodite do passado e da antiguidade não envolviam o uso de sangue - salvo raríssimas excessões sacerdotais. Eu sei este tipo de coisa, porque me interesso e pesquiso. Dedico horas e mais horas da minha vida a leitura de livros e sites de universidades sobre questões históricas, sociais, filosóficas e outras tantas. Afinal, só imaginação leva a idealização, e a idealização é o caminho certo do escapismos e de um artificialismo mal resolvido e apenas de fuga de sí.

Eu adoro Aphrodite e vir a conhecer tudo que se relaciona com ela. Ela não é apenas uma Deusa do amor juvenil ou de algum pretenso "amor universal" vago e escapista representado pelo monoteísmo e pela cultura dominante. Aphrodite tem parte com todas as manifestações do amor e da paixão - do desejo a atração. Ela tem parte e mete os dedinhos, e quando ela está lá não tem para nínguem. E se por ventura, ela escolher não estar lá pode ficar tranquilo que nada vai acontecer.

 

 
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Ela tem muitas faces ao mesmo tempo.Não só uma, duas, três - eu parei para contar todas que achei através de pesquisa e tinham mais de quarenta faces pelo menos. Dali em diante passei a comparar as faces que localizei na pesquisa com as tantas faces dela que encontrei no decorrer da minha curta vida (tenho 30 anos neste momento) e o resultado foi bastante pleno.

Pleno não significa deslumbre ou superficialidade, neste caso significa também dores de amor, perdas financeiras, riscos de vida, conquistas amorosas, relacionamentos estruturantes, relacionamentos desestruturantes, "ficadas" as escondidas em pistas e também amores platônicos não consumidos.

A intensa e inspirada relação amorosa com as palavras e as artes, de me entregar sem reservas a exposição de idéias "selvagens" é também um de seus presentes. Ela revela, se mostra, inspira, toma para sí e seu chamado não encontra a recusa ou a rejeição.É preciso amor para poder atrair o que se nescessita na vida, amor e entrega por sí e para sí.

 Conduzindo para um "enxergar" mais amplo, ela tem parte com a sexualidade total e irrestrita - que invariavelmente conduz ao aceitar-se como é, posteriormente fazer uso dos charmes e encantamentos da coméstica para aprimorar e ressaltar estéticamente o que já é e o que está em você. Aphrodite se manifesta sempre na beleza, mesmo que exótica.

Sua manifestação sempre é entre as mais belas de qualquer contexto.Aphrodite está lá quando os animais machos fazem seus cantos e danças de acasalamento. Ela se aproxima no aroma e na fragrância que os estimula e os atiça para o ato sexual. Ela está ali nas posturas e poses de atração que altera toda a bioquimica dos animais. Na malícia e na promessa de um "safadeza" gostosa. Ela está ali rondando as fêmeas, rondando na carne e no sensorial delas - inspirando elas a se medirem entre sí e até mesmo competirem para qual delas será capaz de atrair um parceiro melhor. Ao mesmo tempo que também ronda os homens, para que se exponham e se revelem aos seus presentes - e que os mais aptos tomem suas parceiras para espalharem ainda mais seus dons.

Aphrodite está ali e tem parte com todo o orgânico e o autoaprimoramento da natureza. Ela vêm em todas as regiões e épocas, como a umidade que sensibiliza, lubrifica e desperta a sede orgânica e natural de todos as feras, belas feras e feras belas deste selvagem jardim que vivemos e que somos partes integrantes.É muito fácil entendermos tudo isso assistindo o documentário de televisão ou de youtube sobre a vida selvagem dos lobos nas regiões transilvânicas ou ainda no sem número de programas de reportagem sobre o pantanal da televisão brasileira.

 Só que nos esquecemos que também temos parte com Aphrodite e que Aphrodite certamente escolhe tomar parte em nossas vidas também. Não só ela, como muitos outros Deuses e Deusas - porém neste eu dedico as letrinhas a ela.Eu não sei como você lida com o orgânico, com seu corpo e com suas "re(a)lações afetivas". Desconheço se você é monogâmico ou poligâmico e desconheço também se você já encontrou a pessoa ou se ainda está procurando a pessoa.

 Desconheço ainda se foi apenas algo fortuíto ou se é algo durador. Se é algo realizado, não realizado e ainda se você escolheu aquela pessoa porque sabe que assim não poderia ser possível e você poderá afundar-se em dores ou assumir paternidade ou maternidade daquela pessoa - quando ela briga ou finda relações com outras.Eu também desconheço se você é aquela mulher que explora assumidamente ou subjetivamente o poder feminino que exerce sobre o outro sexo. Se procura por aqueles homens que pode forçar ao limite com palavras e atos, ao ponto de ter prazer quando a única reação dele é a violência - afinal você já o subjugou de todas as formas possíveis.

Eu desconheço se você como mulher explora todo o poder do feminino deletério, de quando um homem mais fraco, re(a)laciona-se com você, sabe que dentro da cabecinha dele você se tornará em uma só a face de todas as deusas, avós e a mãe que ele teve. Eu realmente não sei porque tudo isso pertence ao subjetivo, ao onírico e a aquilo que não encontra fácil tradução sem ser na magia ou nas ciências humanas.

Eu tenho certeza que todas essas possibilidades sempre que envolverem amor, atração, re(a)lações afetivas - independente de serem estruturante ou desestruturante, todas oferecem "ganhos" para ambos os lados enquanto existem - tem parte com Aphrodite. E isso é algo que assusta, a quem tiver um mínimo de "senso" ou de "tino", em uma era tão marcada pela sobreposição de informações que erradicam o senso comum...

Mesmo morando na quinta avenida de Nova Iorque ou em uma casinha no fundo do terreno - continuamos partes integrantes do ecosistema que vivemos. Sujeitos conscientemente ou inconscientemente a suas condições naturais inconvenientes, inesperadas e imprevistas. Bastante próximas e conectas com os Deuses pagãos de todas as eras.

Felizmente fomos presenteados com a inteligência e a capacidade de escolhermos - cônscios ou não cônscios - o que provêm maior sentido, direção, inspiração, vontade e estruturação do que ambicionamos - já que sempre somos responsáveis pelos resultados do que fazemos.

Falamos de poder pessoal, falamos de glamour, falamos da capacidade de ser com propriedade a "persona" que escolhe construir e sustentar (conecta com seus valores e natureza interior - para funcionar).

Falamos de roupas vistosas, falamos de roupas alternativas que evocam elementos de "elite" da antiguidade ou de uma modernosa e sofisticada ficção cientifica. Falamos de decotes, fendas, babados, rendas, sedas, couro, vinil. E também de maquiagens, esmaltes e outros cosméticos - para aprimorarem, disfarçarem ou adiarem o envelhecimento. Falamos novamente de outra área que tem parte com Aphrodite e com a capacidade de se amar para poder atrair.

Despertar algo "orgânico" em sí e também nos outros a sua volta - seja para atrair mais parceiros ou para atrair o parceiro apropriado.Apropriar-se de seus valores, história, do que viveu e do que gosta ou do que não gosta em sí é um processo de autoconhecimento e capacidade de se prover sentido, direção, inspiração, vontade e outros elementos para influenciar o ecosistema que se encontra. Posicionar-se como vítima ou ainda "tentar" que outro faça algo que você não está disposto, nestes moldes, torna-se incoerente ou que se está fazendo uso de um artificio para conquistar algo - uso de um subterfúgio ou de uma lábia - tanto para sí como para o outro.

Vamos encontrar por aqui outra área que também tem parte com Aphrodite.Não lhe é estranho que pessoas que lhe digam adorarem Aphrodite e tudo que se relaciona com ela possam sustentarem nojinhos, intolerâncias e tratarem como meras vitimas ou de "forma infantilóide" a outras pessoas que vivenciem muitos desses aspectos que tratamos aqui ao longo deste texto?

Tanto quando falamos de Glamour Vampyrico, de cosméticos e de visuais, de "persona", de atração, de entregar-se e de outros encantamentos.Sinto que tem muita gente no mundo que apenas apreende intelectualmente e que não vivencia o que apreende - gente que não curte, não ama, não vivencia e que logo não "vem-a-ser" o que alega ser. Afinal apenas "ter" ou "parecer" ao falarmos do que é genéricamente traduzido como Magia é tão somente auto-idealização e o escapar de sí, para fazer de conta que é algo que não vem a ser efetivamente.E Aphrodite tem parte efetiva com orgânico, com o vivecial e com o que é experimentado..

Arrisco dizer que não dá para chegar em Aphrodite como vítima e nem porque está sofrendo... Ela pode responder sem olhar com um sútil "está sofrendo para ganhar o que hein?" e em seguida voltar a passar seu batom vermelho...

 

[o conteúdo deste texto pode ser ampliado e revisado com sua colaboração através do mail: officinavampyrica@yahoo.com.br ]

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A Vampe e o Feminino Deletério by Lord A:. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
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