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"UM BREVE RESUMO DA TRAJETÓRIA DO TERMO VAMPÍRICO III "

 

Lord A:.

 




Nunca ví bruxólogo. Nunca ví fantasmagólogo. O que dizer de vampirólogo do passado: Não adianta citar "vampirólogos" como fonte segura. A maior parte de seus livros, consistem apenas na repetição de informações segmentadas e repetitivas - onde eles apenas tentam empacotar ao seu modo, e o discurso não supera os paradigmas do senso comum, da visão espirita e da via ocultista artificializada, préviamente citados.

Outro ponto trágico é a constante nescessidade deles em pegarem trechos de mitos, de épocas e regiões geográficas variadas - eliminarem seus contextos e antecedentes originais - para apenas reforçarem a visão anacrônica e genérica do personagem inventado no século dezessete.

A consequência disso são as "risíveis" demonstrações das pessoas que desconhecem o tema, tentando serem levadas a sério com suas deficiências e doenças energéticas. Ou ainda das que alegam quererem ser vitimadas por isso...

 
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E quando alguém tenta experimentar uma via "Vamp" de forma devocional, ficará retido ao auto-sugestionamento, a vertigem e provavelmente cairá facilmente como "pasto de morto" a médio ou longo prazo.No geral, as más línguas chamam a tudo isso de vamp de boutique.

SOLUÇÕES NA HISTÓRIA: Apenas apontar e criticar de forma construtiva - são meios insuficientes.Apontar fantasmas ou ficar no papo de "tudo é mistério" e que "você saberá na hora certa" - ou ainda "nenhum de vocês sabe o que é realmente isso, e eu não revelarei" - são exatamente argumentos repetitivos, que levaram a parte mais rasa e numerosa da Subcultura Vampyrica e cena vamp ao estado em que encontramos nas noites de hoje.

Nas linhas a seguir, proponho-me tão somente delinear um padrão de identidade, coerente e fundamentado em observações históricas anotadas ao longo deste ensaio e site.Longe de mim, tentar fundar ou instituir algo - não passivo de ser escrito ou explicado em poucas e pobres linhas.

O que temos ao falarmos de antigos cultos de fertilidade da terra no continente europeu lá no século X, são:
Como muitos dos tais cultos não possúiam registro escrito e o pouco que sobreviveu foi no folclore e no sincretismo do povo fica difícil reconstruir o que faziam. Os ditos conhecimentos revelados e seus mestres secretos, na prática além de não saberem falar os idiomas destas épocas, desconhecem a geografia sagrada destes povos e regiões e infelizmente deixam a desejar com discursos que pouco acrescentam ao factual ou a uma base mais sólida.

Perceba que por exemplo um religioso hindú nos dias de hoje, conhece e pode falar com evidente facilidade sobre estes temas se estiver disposto. Assim como um sacerdote Nagô ou ainda adeptos de um terreiro bem estabelecido e fundamentado de candomblé no Brasil.Ou ainda um monge Xintoísta no Japão. Isto se deve, entre outras coisas, ao culto initerrupto e a manutenção das identidades e padrões de culto de todos estes povos.

O pouco que temos escrito ou descrito foi realizado por cronistas e monges católicos antagônicos a todo contexto pagão. Dificilmente eles falariam bem, ou deixariam de utilizarem a estética antagônica e depreciativa a todo este tema.Quem escreve e assina, que fica para posteridade.

- Os respectivos cultos de fertilidade da terra eram pagãos.De forma bem resumida, haviam grupos politeístas e outros grupos panteístas ao longo de toda vastidão européia e asiática.Sendo de cunho pagãos e bem anteriores ao advento do catolicismo no século V como religião oficial do império romano - eles não eram adeptos de sua forma de pensar, de ver o mundo e nem de sua mitologia.Certamente, durante a idade das trevas houveram excessos variados e muita confusão e associações equivocadas com elementos inimigos do simbolismo católico - como satã ou o diabo. Porém esta é uma excessão ao contexto pagão.

- Não havia unidade ou governo único entre estes cultos.A esta altura, eram instituições tribais ou familiares de uma determinada região.Não havendo nenhum governo e nenhuma deídade única a reinar sobre todos eles.E muito menos estavam a serviço da deídade antagonista do monoteísmo ou coisa que o valha.Inclusive o monoteísmo era tratado com bastante desdém ou descaso por tais agrupamentos pelo que narra a própria história.

- Os antigos cultos de fertilidade da terra eram baseados em processos extáticos.Tudo era baseado em uma fundamentação local e perdida, encontrada apenas como "causos" e em "fragmentos" por historiadores do século XX em diante em documentos católicos inquisitoriais; Alguns cultos utilizavam de beberragens e enteógenos, outros de danças circulares, outros de música com flautas e tambores - alguns de todos estes elementos misturados.

O que vale entender é que no perído entre os séculos X e XII eles estavam em extinção e já se restrigiam apenas a familias ou grupos de fazendeiros de uma determinada região específica.Em determinadas épocas do ano, seus integrantes entravam ritualisticamente em estado de êxtase...*Note que hoje no século XXI a Subcultura Vampyrica não utiliza e nem serve de apologia para o uso de enteógenos ou substancias quimicas.

- O que era denominado como "uppyr" era termo genérico para os integrantes destes cultos da região do norte da Rússia no século X e posteriormente o termo desceu entre os Eslavos, sendo utilizado ao longo do Leste Europeu - para o mesmo sentido de integrantes destes cultos pagãos.O sentido depreciativo existia apenas para católicos das cidades.

Os nomes destes cultos variavam de região para região e curiósamente - tudo aquilo que foi associado a vampirico dentro dos conceitos que temos nos dias de hoje, e até mesmo batizados vulgarmente como "tipos de vampiros" na dita literatura especializada do meio - levavam o nome de antigos cultos de fertilidade da terra. Sendo assim temos: Strigoi, Vyrkloakas, Taltos, Volkhers, Berserkers, Ulfheadjars, Russalliles, Russalkas, Mazzeris, Calüsaris - estes apenas no continente europeu.

A partir do século XVII o mesmo processo de anacronismo e generalização foi extendido a outros continentes e povos.Ou seja, não temos "tipos de vampiros" como as leituras convencionais tentam impôr. O que temos são comprovadamente são cultos de fertilidade da terra e deídades pagãs, rotuladas genéricamente e anacrônicamente pelo monoteísmo como "vampiros" - derivando simbólicamente do termo "uppyr".

[o conteúdo deste texto pode ser ampliado e revisado com sua colaboração através do mail: officinavampyrica@yahoo.com.br ]

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A questão do Paganismo e os Vampyricos by Lord A:. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
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