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"A QUESTÃO DO VIR-A-SER O PRÓPRIO DEUS OU DEUSA... "

 

Lord A:.

 




Deixando de lado a "subjetividade", "pensamentos baseados em conhecimento revelado" ou "conteúdos religiosos diversos".O pensamento corrente nos dias de hoje situa o sujeito como alguém que nasce como uma tábula-rasa e que gradativamente vai aprendendo, elaborando e desenvolvendo-se durante seu crescimento.Isto acontece através da aquisição do idioma e do repertório cultural de onde ele vive.A partir do instante em que ele adquire sua mediação simbólica ele passa a criar e também ser criado e capaz de relacionar-se com o ecossistema e o meio em que ele vive.Isso não tem muito segredo e pode ser merecidamente ampliado.

Não existe um "sistema único" ou uma "única visão" do repertório utilizado como mediação simbólica em uma mesma cultura.Teremos diversas variações, pontos de vistas, linhas de postura e de discurso e isso é igualmente óbvio.Invariavelmente nos encaixaremos em algumas delas por afinidade, outras por criação, outras por paixão e outras ainda por motivos emocionais insondáveis.Estamos sempre em uma quantidade delas, mais ou menos administráveis e conhecidas - mas também somos afetados por aquelas que também estamos e nem damos muita atenção.

 
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O que interessa é que nosso modo-de-viver, o tal do jeito de ser (ou como você fala, como se posiciona, o que acredita, o que discursa, o que expressa, como se veste, como usa o cabelo, como mantêm a higiene e etcs) indica visualmente e fisicamente no ecossistema compatível a todos suas características e define seus vínculos sociais, afetivos e como relaciona-se com tudo isso.

Podemos acrescentar que têm forma, cor, gosto, aroma, profissão e ainda outros milhares de possibilidades.Você é datado e produto do meio-social onde vive (meio social - abarca a cultura onde vive, e não é sinônimo ou limitado ao meio regional ou classe social onde vive). Bom, nínguem está limitado ou condicionado ou em alguma situação inalterável de classe social, religiosa ou de vida.

Conquistar uma nova "mediação-simbólica" leva tempo, não é um processo só racional, envolve a forma como vê o mundo e os mais variados temas culturais, histórico, vinculos sociais, relações afetivas, sociológico, religiosos (a tal da alma, vida pós-morte, origem do mundo, oráculos, conduta social e etcs), guarda-roupa, acessórios, jargão e muitos outros temas.Tudo isso é mensurável em maior vinculação ou menor vinculação, envolvimento ou não envolvimento e muitos outros recursos.É uma tarefa árdua para o resto de suas noites e dias.

Supondo que você tenha êxito, ainda assim será influenciado pela cultura onde nasceu e cresceu, seus valores, idéias, cultura, vínculos sociais, pontos de vista religiosos e muito mais fatores subjetivos.Você também sera afetado sevéramente por sua capacidade de envolvimento, de relações sociais, capacidade de sustentar-se financeiramente, de ser autêntico, de como realiza suas escolhas de vida, fatos que experimentou na infância e como interpreta eles, relacionamentos afetivos e como trata eles, escolhas acadêmicas e profissionais...Você não vai deixar de ser você ou esquecer de onde veio e como veio.Para funcionar a longo prazo, não pode ser apenas uma encenação ou um papél que representa para sí ou terceiros.

Aqui provavelmente entra a idéia do vir-a-ser alternativo aos valores da cultura ou religiões dominantes.Mas ainda assim precisamos viver como anfíbios entre estas realidades.Tudo que temos está no "ecossistema", não existe fora do "ecossistema" ( o espaço e o restante do universo (dentro de uma visão bem ampla) são o "ecossistema" também.

Então para procurarmos o que nos traz mais pertencimento, sentido, suporte e afins - temos que encontrar por aqui na Terra e nos seus habitantes mesmo - tudo é mais ou menos básico, selvagem e acessível a você, que por algum motivo se perde em sabotagens, rótulos errôneos, escapismos ou metafísicas que apenas lhe alienam daquilo que você vem-a-ser.É preciso "sentir" mais.

Note que aquilo que existiu, que teve forma, aspecto, relações sociais ou afins deixam marcas e traços indeléveis que podem ser rastreados, caçados ou pelo menos mencionáveis e comparáveis com ocorrências posteriores ou anteriores.Invariavelmente, muita coisa já está perdida, inalcançável e irrecuperável no tempo.O máximo que pode ser feito é resgatar, comparar, re-significar, re-apropriar-se e manter sua nova existência respeitando limiares devocionais, históricos, geográficos e temporais.

Durante todo este processo incial de entendimento, auto-reconhecimento e auto-aceitação, você obterá algum auto-domínio e uma visão mais ou menos clara de que "mitologemas" ou mesmo de que mitos você vivência e permite que se perpetuem e realizem-se sobre o Ecossistema - no seu cotidiano.Seria mais apropriado dizer que "Deus" ou que "Deusa" e por vezes que Deuses ou que Deusas você manifeste de forma bruta e incontrolável por aqui - através de suas escolhas durante a vida.

Sem dúvida alguma, o Deus ou a Deusa estão na sua cabeça, como dizem as "pessoas do mato" ou adeptas de religiões não-civilizadas e primitivas - como algumas pessoas dizem por aí.Mas essas mesmas pessoas tribais e distantes dos conceitos ocidentais, ao longo do tempo, aprenderam a reconhecerem os sinais que caracterizavam uma pessoa com predominância de uma deídade ou de outra.E hoje em dia o Visagismo, tenta recuperar e re-interpretar em termos mais ocidentalizados este mesmo saber nas universidades e salões de estética urbanos - com graus de acerto expressivos que em alguns desfiles de moda ou das pessoas que o utilizam, mesmerizam a audiência e as tornam-se referenciais de beleza ou de uma determinada área de conhecimento.Em uma escala menor, nada muito diferente dos chamados heróis do passado.

O fato de descobrir ou de saber sua "Deídade" não o torna a "Deídade" e nem um sacerdote dela, menos ainda um iniciado desta "Deídade". Mas lhe permite estabelecer um relacionamento melhor, mais produtivo, efetivo, substâncial e coordenado consigo e com ela, afinal neste ponto é melhor trata-la em terceira pessoa.Este relacionamento vai pertencer ao campo religioso pessoal, ao irracional e acessível apenas através do emocional.Mas com resultados evidentemente intensos e comprováveis para você, que devem ser relatados em diários ou grimóriuns.

Pessoas fashionistas, láicas, de ciências podem utilizar o termo "arquétipo", "tipos" ou ainda os tipos de personalidade do Visagismo para explicarem de forma aberta este mesmo tipo de conceituação.Note que eu o faço sob uma ótica pagã e Vampyrica - mas o assunto não se restringe e nem é somente sinônimo do campo explorado neste texto ou na Subcultura Vampyrica.

Já deu também para concluir que religião não é sinônimo daquilo que temos no monoteísmo institucional dominante, que não consegue provêr significado, sentido ou plenitude e apenas oferece dogmas inatingíveis e impováveis.No passado latino o termo era apenas usado para designar a relação individual para com o sagrado presente na cultura e no ecossistema.

 

[o conteúdo deste texto pode ser ampliado e revisado com sua colaboração através do mail: officinavampyrica@yahoo.com.br ]


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A questão do Paganismo e os Vampyricos by Lord A:. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
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