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Adônis vai crescer e ganhar os amores de Afrodite.O que irritará sevéramente Ares, o deus da Guerra amante mais antigo de Afrodite.Como sacanagem, ele irá inspirar no jovem, a sede pela adrenalina e a caçada.Para após algum tempo, acabar com a vida do jovem - durante uma caçada. Afrodite cochilava após uma tarde de amor com Adônis e não pode salva-lo do destino armado por Ares. Adônis irá morrer e a tristeza de Afrodite trará o inverno sobre a terra.A primavera só retorna, quando passa o luto de Afrodite pela perda de seu amante...ela se anima quando vê as flores que eles brincavam nascendo novamente... Em The Golden Bough, traduzido como "O Ramo de Ouro" de Frazer veremos uma analogia pouco comentada, sobre a analogia entre Jesus e os Deuses Agonizantes.Neste trecho é apresentado o ritual cristão de morte e redenção, claramente como uma apropriação e sobrevivência das antigas religiões de mistérios pagãos.Foi uma gratificante surpresa vêr também esta citação na obra de Camile Paglia, reproduzida abaixo:
Chorando em seus mantos opressivos, Maria admira a beleza sensual do filho que ela fez. Os vítreos membros escorregando para baixo no colo dela, Adonis afunda de volta a terra, a força esgotada pela mãe imortal e a ela devolvida. Freud diz: "É destino de todos nós, talvez, dirigir nosso primeiro impulso sexual para nossa mãe". 0 incesto esta no inicio de toda biografia e cosmogonia. O homem que encontrou sua verdadeira esposa, encontrou sua mãe. O domínio masculino no casamento é uma ilusão social, alimentada por mulheres que exortam suas criações a brincar de andar. No núcleo emocional de todo casamento ha uma pietá de mãe e filho. Vou encontrar vestígios do incesto arcaico dos cultos da mãe em Poe, James, e em De repente no ultimo verão (Suddenly last summer), de Tennessee Williams, onde uma mãe rainha, reinando sobre um brutal jardim primevo, dá em casamento seu filho esteta e homossexual, o qual é ritualmente assassinado e pranteado. O dinamismo feminino e a lei da natureza. A terra desposa a si mesma.
A mulher fatal mais experiente e o jovem que encontrará a morte depois da servidão e incapacidade de penetra-la, é um tema recorrente na produção cultural do ocidente.Nos filmes mudos, o jovem as vezes era um adulto na casa dos trinta anos - vitima da "Vamp" Theda Bara. Nos filmes vampíricos europeus, dos anos sessenta e setenta esta será uma temática comum, acompanhada de cores e ângulos de camêras que até hoje são aulas de fotografia no cinema. A vampira como a face da Deusa-Mãe mais sombria...o turbulento e destrutivo ecossistema...
A resposta é, sim, existe.O mito se encontra na Roma Imperial, e discretamente disfarçado e despercebido em todos os nossos calendários modernos.Despeço-me do leitor com um trecho do texto "Jano e Jana" de Gwydion Drake, publicado no Tribos de Gaia: "(...)Jano era representado com uma cabeça bifronte (com dois rostos), um jovem e imberbe olhando para frente, podendo ver o futuro, e outro mais adulto e barbado olhando para trás, vendo o passado. Era considerado nos documentos que persistem no tempo como o Deus das Portas e dos Inícios, mas provavelmente nos antigos cultos latinos e/ou etruscos ele representava mais que isto. Sendo o presente, que contempla o passado e o futuro, podemos considera-lo como um senhor do tempo, como o Chronos grego, ou ainda mais, já que ele era o deus das portas e das chaves, ou seja, tinha também o poder de abrir e fechar as portas da eternidade. Contemplando o mundo a partir de todas as perspectivas, visualizando a totalidade, sem nenhuma dualidade. Para Jano, não existia o bem e o mal, o branco e o negro, luz e trevas. Tudo era assimilado e compreendido por ele. Apenas um deus com estas as características poderia ser capaz de penetrar, compreender e dar sentido à natureza criada por Jana, a Deusa Mãe adorada nos cultos ancestrais, através de mil nomes. Jana, Iana, Djana, Diana e com todas as variações possíveis da Raiz indo-européia “Dan” Don, Danan, e outras tantas, neste contexto, cuidava amorosamente de tudo que vivia e crescia no mundo. Jana incorporava a ordem universal, desde o seu domínio sagrado da realidade temporal, da sacralidade cíclica à transcendência. Nela tudo se fundia e os contrários se encontravam criando o sentido do absoluto. Mesmo o posterior cristianismo adota Santa Ana, a mãe da virgem Maria, mãe de Deus, deixando claro que Jana, acompanhada de Jano, permanece absoluta como a grande Deusa Mãe universal. Jano controlava a vida que Jana criava e nutria. Estas eram as portas que se abriam e se fechavam, transformando em presente o passado e o futuro, que só existem para quem não crê na totalidade da vida. Como os ciclos do carvalho, que aparentemente morre e perde suas folhas, para renascer de si mesmo, representando a renovação de todo o universo representado por Jana e sua imagem perene do azevinho, que nunca perde suas folhas. Ambos, enquanto simbolizavam a união dos contrários, eram na realidade uma coisa só: uma idéia superior que rompe com todos os padrões estabelecidos pelas aparências, eram uma unidade e marcavam a quebra de todas as falsas realidades e limites da vida.(...)"
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