Quando originou-se o ideal da Vampyrismo.Org?
Lord A:.-O site Vampyrismo.Org era um projeto que eu tinha pelo menos desde finais de 2003.Mas se eu pensar um pouco mais, vou concluir que eu tive idéias deste tipo pelo menos desde o final da década de noventa.No entanto, em finais de 2006 já faziam cerca de aproximadamente três anos que eu escrevia sobre o tema como colunista em alguns sites de vertentes relacionáveis e participava como palestrante de algumas conferências sobre assuntos associados. Era a hora de estruturar e centralizar um pouco melhor todo este trabalho.Fazendo o que se gosta, em geral acertamos e atraímos para nosso cotidiano pessoas convergentes e projetos sincronizados com as práticas. Estamos no terceiro ano de atividades initerruptos do nosso site (2009), hospedamos muitos projetos paralelos nele e até mesmo um podcast mensal ( um programa de rádio internético sobre a temática).Como não sou de contar a quantidade de pessoas que passa rapidinho no site e sim as que se detêm por algum tempo, mantemos uma média mensal superior a quinhentos visitantes semanais, que se detêm um bom tempo para ler, escrever emails, ouvir música, ler nossos conteúdos, trocar idéias, participarem da nossa comunidade eletrônica e que ainda arranjam um tempinho em suas agendas para encontros presenciais.
Qual o significado do vampirismo para você (como cultura e modus viventi) e como é levar pra frente um arquétipo que por si traz a memória da morte e da dominação do mais forte?
Lord A:.- Bom, neste caso respondo apenas por mim - nos símbolos o vampirco concilia em sí paradoxos e antagonismos como vivo e morto, selvagem e refinado e traz um questiona-mento do que é realmente viver.O poeta Coleridge, autor de Christabel já dizia que os "opostos se encontram" - penso que simbólicamente ele acertou ao dizer isso - até mesmo que isso tem bastante a ver com a produção artistica associada ao vampírico.O que eu acho é que aquilo que incomoda (ou incomodou muito mais entre os séculos XV e XX) a cultura dominante como morte, opção sexual, o orgânico, moldes de civilizações diferentes ao padrão europeu ocidental, a ambiguídade, forasteiros e aquilo que lhe era alternativo era sempre atribuído a algum personagem ou rótudo depreciativo.As primeiras poesias e historietas do século XVII sobre vampiros eram exatamente sobre estes temas.E mesmo o personagem dos filmes e livros atuais são re-interpretações que descendem ou são influências do período que citei.
Se olhamos para o ecossistema a nossa volta veremos que vida devora vida, força devora força e até mesmo estrela devora estrela nos céus.Enquanto isso, lá na varanda da chácara dos meus amigos, beija-flores (jóias voadoras, como alguns chamam) duelam violentamente pelo dominio e a posse territorial do pote com água adocicada.Este é o ecossistema onde vivemos, mas idéias assim, orgânicas, incomodam as idealizações e os escapismos da cultura dominante.São elementos comuns a todas espécies "vivas" presentes no ecossistema.Então, não há nada de essencialmente "vamp" ou de conhecimento secreto nesta afirmação.Afirmar ou reconhecer estes padrões do ecossistema não torna ninguem mais "vamp" do que nínguem.É o tal do ciclo do carbono afinal.
Além do ecossistema, nós enquanto humanos e integrantes de um país, buscamos um ponto de equilíbrio e de respeito as leis e normas que dirigem e permitem a diversidade continuar existindo respeitando os espaços uns dos outros. Neste caso o tal do "mais forte" é sinônimo de mais "hábil", do mais industrioso, é aquele capaz de sustentar a sí, defender seus valores, seus teritórios, seu modo de vida e a forma como vê o mundo com autênticidade, ética, conhecimento e principalmente com "atos". Simbólicamente, segura a boca do leão aberta com tranquilidade ou ainda vêm a tombar o leão com graça e um arco e flecha, como Atalanta dos Argonautas...Ou ainda aprende a cavalgar e manter o rumo de tudo aquilo que lhe traz ardor, tesão e pertencimento.Isto é força nos sentidos mais aceitáveis.
A morte vêm por aí uma hora destas e é inevitável.Então, é melhor viver bem fazendo o que gosta e curtindo enquanto vivo.A cultura dominante pontua a felicidade em um futuro hipotético ou em uma outra vida como forma de reforçar o conformismo reinante.Vamps procuram a felicidade no "agora" ou no momento presente.Não temos pecados ou estranhas noções de livretos comerciais ocidentais de "kharmas" e "dharmas" que acumulamos ou desacumulamos.Logo, um modo de vida vampyrico é uma existência mais rica de plenitude e prazerósa.A "morte" é toda vez que seguramos nossas palavras, vontades e aquilo que gostáriamos de viver, dizer ou de fazer, meio que natimortas em nossa garganta ou na mente - e depois ficamos nos remoendo por não termos realizado ou falado...Óbviamente, a morte ou os mortos não alimentam a vivacidade de integrantes da Subcultura Vampyrica.
Poderia nos dar uma explicação sobre o porquê do Y na palavra Vampyrismo, tanto utilizada pelo grupo? Sua utilização é meramente ornamental ou possue algo mais profundo?
Lord A:.- Segundo a própria história contada em livros, sites e declarações presentes na cena vamp, em meados de 1996 na Europa e EUA os integrantes optaram por utilizarem a grafia antiga da palavra para definirem seus modos de vida e diferenciarem-se dos conteúdos do modo de vida e da forma como enxergam o mundo - daquelas pessoas que apenas fantasiam ou querem fazer de conta que são um estereótipo ou personagem caricato.
Outro fator da mudança da letra foi a hiperexposição midiática que aconteceu na mídia principalmente nos EUA sobre o tema Vamp - na segunda metade da década de noventa.E assim o trem foi seguindo...
Significados mais profundos existem dos mais váriados, o mais frequente refere-se a obra "The Vampyre" do Polidori, uma deliciosa prosa romântica de alguns séculos atrás escrita decalcada de uma obra de Lord Byron...Nessas e outras vamos retroceder até "Christabel" de Coleridge.O que me faz pensar, que o significado mais profundo seja - não se interpreta símbolos e mitos linearmente ou como realidade absoluta, tudo isso fala do metafórico, do subjetivo e questiona comportamentos estagnados, tabús como sexualidade e a morte.Evidência e questiona também as falhas do positivismo, racionalismo, mecanicismo, iluminismo...Trazendo o "Vampyrico" como uma importante ferramenta de reconhecimento, aceitação de que o humano é tão somente mais uma parte do ecossistema.
A Subcultura Vampyrica teve seu início lá no começo dos anos de 1970, quando era o que chamamos hoje de uma "proto-subcultura Vampyrica".Seu inicio se deu através de fanzines,pequenos eventos e encontros, trocas de correspondências entre artistas, escritores, músicos, simpatizantes, apreciadores e neopagãos.De lá até os anos de 1990, são quase vinte anos de história.E dos anos de 1970 até os dias de hoje (2009) são cerca de quase quarenta anos initerruptos...Toda esta história é abordada nas primeiras edições do podcast VoxVampyrica e também em meu texto cronologia- ambos disponíveis em www.vampyrismo.org.
Já sofreu algum tipo de repreensão social sobre o seu estilo de vida? Cite um caso curioso.
Lord A:.- Tudo que é novo, assusta, incomoda, faz re-pensar e coloca em cheque valores anteriores tanto nas subculturas alternativas quanto na cultura dominante.Quem escolhe "vir-a-ser" alternativo, seja a cultura ou a religião dominante - têm que saber e aceitar que vai enfrentar problemas e por mais "legal" que seja com os outros - suas idéias, posturas, roupas, discursos terão que ser sustentados com autênticidade e conhecimento. E vir-a-ser autêntico requer consciência de que você deve falar "pela frente" do que sente sem medo de magoar alguém.Conhecimento requer estudo e vivência. E que o seu visual "artificial" para a cultura dominante coloca em cheque as idéias do que é "natural" ou aceitável - a sua volta.Isto incomoda, e pessoas expressam seus incômodos ao que temem ou não são capazes de lidarem, através de formas variadas.
Particularmente, tive uma história engraçada que aconteceu em 2004 quando voltava para casa a tarde - estava sem visual "vamp" inclusive. Um grupo de 16 pessoas de uma fervorosa igreja da minha região, me cercou em frente da minha casa. E começaram a rezar por minha alma...Eu agradecí educadamente, dizendo um obrigado e que todas bençãos retornem a vocês também.Comigo mesmo, achei estranha, teatralizada e "gritada" demais demonstração de fé daqueles caras.Mas penso a Terra é bem grande para comportar muitos Deuses e Deusas, seus cultos e nenhum deles é melhor do que o de outro povo, tem espaço para todo mundo.Só que o teatro deles não parou e continuou assumindo um tom apoteótico...
O líder do grupo discursou histéricamente que eu estava possuído por Lúcifer, Satã e o demônio em pessoa.Esperei ele terminar o show e lhe disse, que isso era improvável, pois eu era pagão e não acreditava que os símbolos ditos por ele representassem algo importante ou relevante para mim.
O lider do grupo ficou ainda mais possesso e seus seguidores começaram um coral desafinado de preces, apêlos e gritos aos céus...Com direito a estenderem os braços e gritarem ainda mais alto...Bom, como eu sou da Terra mesmo, caminhei até a frente do líder do grupo, olhei firmemente em seus olhos e disse: Se eu tô possuído, faz teu sinal da cruz...Se eu desaparecer, tá beleza! Se eu continuar aqui...Ele recuou amedrontado, pararam com o com a apoteóse na mesma hora e ele partiu "cabisbaixo" junto com seus seguidores - por sinal, bem desmoralizados.Eu gargalhei da cena e entrei em casa. Histeria coletiva na frente da casa dos outros não é religião de nenhum tipo é só baderna de rua. Depois disso nunca mais tive problema algum com eles.
RHB- A estética apresentada sobre o mito do vampiro nos sugere uma certa escatologia (dormir em túmulos, sugar sangue, etc). Você é favor destes estereótipos? Por quê?
Lord A:.- Acho que é legal pontuarmos que "escatologia" é também o oposto da cosmogonia. Enquanto que na cosmogonia falamos do nascimento ou do surgimento do universo - em geral sob uma visão mitológica; Já na Escatologia, também sob uma visão mitológica falamos do final, do como termina e do para onde (talvez) iremos. A forma como acreditamos ou sentimos o elemento "de onde viemos" nos traz a inspiração para o presente;Já a forma como acreditamos ou sentimos que iremos terminar, orienta nossas escolhas e decisões pela vida.
Penso que enquanto arte (plástica, música, teatro, letras e etcs) deve-se ter a liberdade de representar o que se imagina.A arte neste caso é blindada, armada, vibrante e certamente intensa - quando alguém cria obras de arte que chócam de alguma forma, está usando de símbolos e de imaginação para relaciona-los em sua obra - e logo acabará por questionar valores corporais,sociais, espirituais, políticos e muitos outros que lhe afetam e por consequência afetam agrupamentos sociais.Fechar os olhos para isso tudo ou tratar tais obras de arte com descaso ou imaturidade...Não é muito diferente do que artistas do "expressionismo" ou do "simbolismo" experimentaram em suas épocas. Ou ainda da forma como "facistas" tratam até hoje tais conteúdos como arte degenerada.
Existe também a função apotropáica da arte considerada "escatológica".É mais ou menos como a carranca que os barqueiros das chalanas do pantanal ou do rio Amazônia colocam em frente aos barcos - espantar maus-intenções, confundir, proteger e vigiar com quem vai se relacionar.Este elemento é meio escondido, mas presente tanto na subcultura gótica quanto na subcultura vampyrica .Existe o labirintico padrão de linhas desenhadas nos entalhes de cruzes, maquiagens e outros símbolos apreciados e utilizados nos adreços dos integrantes.É uma expressão clara deste caráter "apotropáico" de proteção a sí ou do esconder-se para revelar-se apenas a quem merece, como a gente tanto ouve em festas ou lê na internet por aí.
Penso que a grande quantidade de imagens "escatológicas" que muita gente usa como avatar ou nos seus álbuns digitais - seja uma intensa crítica ao que vemos na cultura dominante como padrão de beleza ou de conduta.
Vivemos em uma época de insanos cultos químicos a juventude eterna, negação do aspecto do ancião, do discurso que não existe discurso ou rótulo algum, consumo exagerado de prozacs e anabolizantes para o sustento de uma falsa imagem de poder, virilidade ou de eficácia; Vivemos uma época dos padrões de beleza que amarram, comprimem, rasgam, amputam e dilaceram corpos femininos e ainda de grande descentralização social e emocional.O reflexo acontece na produção e nas preferência cultural e artística de nossa época.O vampiro como símbolo re-significado nas artes, desde o romantismo no século XVII é exatamente uma metáfora eficaz para debatermos ao agônico de cada época. Deve ser por isso, que ele é um tema tão recorrente hoje.Da inocência pervertida de Lestat ao limpinho e cheio de nojinhos Edward Cullen...uma fúria ctônica lavada...
Enquanto arte, havendo padrões coerentes de estética e de boa execução sobre um suporte apropriado - o escatológico na arte é algo fantástico.E vai de encontro, com o que eu já disse nesta entrevista sobre a compreensão dos símbolos como algo metafórico e subjetivo.E não de significado ao pé-da-letra.
É importante validar que o tema do "vampiro" pelo menos desde os anos setenta do século XX, já se abriu a uma gama bem grande de possibilidades de exploração simbólica, ou seja já saímos do estereótipo sangue, cemitério,caixões e túmulos nas artes.E isto deve igualmente ser levado em conta pelas novas gerações de artistas sedentos por explorarem a temática Vamp.Sair do lugar comum e do conformismo que muitos editores e a industria cultural cobram nas artes sobre "Vamps" é uma tarefa árdua, mas quem leva a sério e busca um lugar ao "luar" deve empreendê-la.A arte exige este tipo de risco e de embate para manter sua autênticidade - e mantêr-se perturbadora e instigante...o olhar brilhante que paralisa no meio da noite...que antecede a mão que puxará para a inescapável escuridão... onde lábios delineados se abrirão, revelando dentes pontigafuos...e a mordida...sempre a mordida...Nas artes, claro!
*Apenas deixo a ressalva que aquilo que é possível nas artes plásticas, letras, música, teatro e etcs - pertence exclusivamente a liberdade da expressão artística. No mundo como ele é, existe hepatite, aids, questões judiciais, horários de visitação à espaços públicos, respeito ao espaço físico e simbólico de outros agrupamentos sociais ou devocionais e etcs - que respeito e penso que devam ser igualmente respeitadas por todos - sem excessão - que apreciam a temática Vamp ou integrem esta Subcultura.
Conte-nos um pouco sobre seus projetos, inclusive sobre os grupos de estudo sobre o Vampyrismo que promove.
Lord A:.- O Site Vampyrismo.Org hospeda diversos projetos destinados a vertente fashionista e a vertenta politeísta/panteísta da Subcultura, assim como aos simpatizantes e buscadores de informação sobre este contexto.Temos uma rádio com seis djs residentes e um programa mensal de podcast que é o Vox Vampyrica - onde informamos sobre o tema - a programação musical do programa e da webradio é voltada para a temática eletro, synth, darkwave, ethereal tão apreciada e parte integral dos eventos da cena local e do exterior.
Temos a Fangz Culture que produz dentes vampiricos removiveis e personalizados, de qualidade cinematográfica desde 2007, sendo o primeiro studio do gênero no Brasil.
Gosto de falar bastante da "Cronologia da Produção Cultural de temática Vampirica no Brasil" uma listagem ampla e bem completa do gênero desde os anos cinquenta até as noites de hoje.Temos a Rede Vampyrica com cerca de 300 leitores do site, que opinam, publicam blogs, álbuns de imagens e participam de fóruns específicos sobre Vampyrismo...
E claro, temos o Cìrculo Strigoi/Officina Vampyrica que é um grupo coordenado por mim dedicado ao estudo do conteúdo e práticas da vertente politeísta ou da panteísta na Subcultura Vampyrica. Fundei este grupo ainda em 2006, atualmente (2009) estamos na metade do terceiro ano de atividades initerruptas de práticas e de estudos sobre o Vampyrico.O que é algo bem expressivo e uma referência internacional sobre o tema em idioma português
Ao longo dos meses do ano o Círculo Strigoi/Officina Vampyrica celebra solstícios, equinócios, realiza encontros abertos, workshops e cursos-livres sempre destinados a temática Vampyrica e mantêm suas atividades em um espaço muito conceituado e confortável nas proximidades do metrô vila mariana.Além das atividades neopagãs, também realizamos saraus, mostras de dança e brevemente outras novidades...
O ideal para quem deseja conhecer mais, é se inscrever préviamente pelo email: officinavampyrica@yahoo.com.br - nos workshops ou encontros abertos que realizamos.Para poder experimentar, vivênciar e entender o fascínio noturno que envolve a vertente politeísta/panteísta da Subcultura Vampyrica.Se você não conhece muito sobre o tema, fique tranquilo, nos encontros presenciais informamos desde o mais básico aos assuntos mais complexos - de forma detalhada, cronológica e acessível.Apenas lembramos, que para participar você precisa ter pelo menos dezoito anos.Para conhecer mais é só visitar www.vampyrismo.org/officina
Existe um público fiel sobre o tema "Vampiro" aqui no Brasil?
Lord A:.- Existe sim.É um público numeroso que comprime uma grande gama de simpatizantes, apreciadores de literatura fantástica, universitários, profissionais de áreas variadas, místicos e fashionistas.Pelos expressivos números de visitação do site, envio de emails, contatos no msn venho percebendo que o público se espalha e está gradativamente crescendo pelas capitais e pelo interior do país.Isto é fascinante, recebemos também muitos leitores de Portugal, Espanha e da América do Sul que estão apreciando e curtindo nosso trabalho e incentivando seu aprimoramento.
O ideal dos "Fangsmithers" é uma novidade por terras brasileiras. Como foi introduzir esta idéia por aqui e quais foram as principais barreiras enfrentadas.
Lord A:.- Legal contarmos que Fangzmithing é a arte de produzir dentes vampíricos removiveis e personalizados como jóias e adornos pessoais de qualidade hiper-realista. Fangzmithing é uma arte.Leva tempo para ser aprendida e vai muito além de apenas colocar uma prótese ou algo parecido.Envolve conceitos de estética, visagismo, domínio de material, técnicas especiais de fixação - e principalmente um atendimento apropriado entre o profissional e o cliente, com uma longa entrevista - para desenhar-se e forjar o par de prêsas perfeito e apropriado para o/a Vamp em questão.Tanto que o momento em que eles se olham no espelho, nem 1000 palavras podem descrever a sensação experimentada.
A única dificuldade que enfrentamos foi a pouco tempo um plagiador picareta, que tentou roubar nossos textos e fotos do nosso trabalho na internet - e saiu por ai em alguns points alternativos...Os serviços que ele ofereceu eram deprimentes em qualidade e danificaram os dentes das pessoas que usaram.Não basta modelar uma resininha e assistir filmes de vampiros.Fangzmither é uma arte demorada e complexa de ser aprendida.
Mudando o rumo iniciamos eu (no conceitual e subjetivo) e Wo´Ha´Li (que é dentista) a Fangz Culture em 2007 e ela mantêm até hoje clientes permanentes que apreciam nosso trabalho e valorizam o uso de suas fangz tanto particulares como também públicos.As prêsas de Liz Vamp desde a metade de 2008 e de outros vampiros de seu longa-metragem estão sendo produzidas por nós.
Há pouco tempo, um par de Fangz de um cliente intimidou um assaltante e o colocou para correr.Muitas vezes, os relacionamentos de casais tornam-se ainda mais marcantes quando utilizam suas prêsas a noite.Penso que nós trabalhamos com oferecimento de uma forma de expressão individual, que eleva e "apimenta" a qualidade das experiências sensoriais, trazendo glamour e encanto para as noites de nossos clientes.Somos gratos de coração a todos eles, pelo apoio incondicional desde o começo.E a vocês da RHB pela divulgação e apoio ao nosso serviço.
RHB- É necessário ser gótico para ser um vampyro? Existe uma outra "tribo" frequentadora dos workshops da Vampyrismo.Org ou ela é uma especialidade privada ao submundo goticista?
Lord A:.- É uma pergunta interessante, nos eventos presenciais e mesmo em nossa rede eletrônica temos o comparecimento de integrantes da Subcultura Gótica e também de pessoas que nada têm a ver com qualquer cena musical alternativa.Muitos Vampyricos e Vampyricas Neopagãos, não são e nem foram góticos.Existe uma grande variedade de pessoas interessantes, com vivências diferenciadas - que vêm a encontrar no Vampyrico, segurança, estabilidade, conforto, vínculos mais densos com pessoas convergentes, pertencimento e sentido.
Qualquer pessoa que tenha interesse, apreço e sente um envolvimento como o estado de "apaixonado pelo tema" Vamp pode participar.Algumas pessoas as vezes curtem o som de bandas darkwavers ou synth, mas não o suficiente para serem vinculadas ao gótico.Nosso público nos encontros presenciais em sua maioria é composto por pessoas com mais de vinte e cinco anos, diretores de empresas, advogados, médicos, publicitários, gerentes, músicos e afins.Há uma predominância do público feminino muito expressiva na cena Vampyrica paulistana.Mulheres fortes, decididas e ainda românticas.
É legal contar que para participar dos Encontros presenciais, basta apenas a vontade de participar e o ato de agendar sua participação com dois dias de antecedência, sempre pelo nosso email: officinavampyrica@yahoo.com.br.Não precisa ter conhecimento prévio ou dominar o assunto, nossos ciclos de estudos e de práticas, ou ainda os encontros abertos começamos sempre do nível mais básico e fundamental, a exposição de nossas temáticas.Lembrando, que precisa sempre ter pelo menos dezoito anos completos para participar.
Já sofreu algum tipo de ataque (físico, moral, etc) pela escolha de sua atual posição, afinal góticos e RPgistas são os principais "culpados" nos tablóides sensacionalistas.
Lord A:.- Sobre reações ou atitudes das pessoas a minha volta, em geral, recebo a fascinação delas misturadas com uma ponta de temor e de curiosidade.Um olhar que se detêm e eventuais perdas de falas.As vezes também recebo a inveja de alguns e a recriminação por dizer o que penso e fazer o que eu quero, e não o que esperam que eu faça.Aprendí que a longo prazo é muito melhor viver assim. Perder tempo tentando encaixar-se ou adaptar-se as fantasias perfeccionistas do que "esperam" de você é muito desgastante e pouco prático.
Tudo que é alternativo ao repertório da cultura dominante, é sempre "culposo" ou "medonho" para a cultura dominante - E é melhor que seja assim, não estamos aqui para sermos assimilados como um produto cultural de consumo rápido - que será repôsto por alguma novidade igualmente dispensável.Integrantes da Subcultura Vampyrica e tantas outras devem aprenderem a lidarem com isso de forma mais "sábia" tanto ativamente quanto receptivamente.E estarem aptos para defenderem seus argumentos com história, vivência e charme.
O primeiro contato é sempre chocante, mesmo se o "Vamp" sequer está usando um visual de balada...Isto incomoda um pouco as pessoas, é fato consumado.Nos simbolismos associados ao Vamp, existe a questão e a presença de elementos como sexualidade, selvagem, morte, atração planejada...e muitos outros.A simples menção destes temasincomoda e chega a"chocar" bastante quem não está acostumado a este meio.Só que também "somos" pessoas reais, com carreiras profissionais ou universitárias que vivemos com ética, trabalho e justeza de modo anfíbio entre a cultura dominante e a sucultura alternativa que integramos.
O que acontece é que com o passar do tempo, as pessoas vêem e aprendem que você não é aquilo que estereotiparam ou pensavam.Então a convivência boa ou má, vai da relação individual de cada um, tanto social, afetiva, profissional e familiar.Não tem jeito.No geral, penso que a década atual é muito mais branda nas capitais e recebe mais abértamente Vamps.
A MÍDIA: A mídia é tendenciosa, tem discurso e não é (nem nunca foi) imparcial aqui no Brasil.Saber escolher um meio midiático e ter a sorte dele cumprir tudo aquilo que promete, é uma façanha.Nem sempre existem "meios" que emoldurem de forma apropriada ou com o merecido valor que esperamos ver aquilo que vivenciamos - e mesmo que ocorra, nunca vai agradar a todos pois esnobismo, narcisismo ou querer ver representado literalmente o próprio discurso por um terceiro é algo praticamente impossível.
Dificilmente veremos manchete como "homem-branco, cristão, comerciante mata duas pessoas", sendo que basta visitar qualquer tribunal que veremos que homens de todas as cores, credos, profissões e ideologias cometem delítos e crimes de todos os tipos.No entanto, qualquer coisa como homem de preto do mal ataca pessoas inocentes...é caso corriqueiro.As desculpas dos editores para isso são diversas.
O mais interessante é que os crimes e muitos delitos em geral atribuídos ao Vampírico, foram cometidos por pessoas externas não relacionadas e nem sequer vinculáveis ao padrão dos integrantes da Subcultura Vampyrica ou dos muitos apreciadores e simpatizantes das artes.
Acho deplorável e um baita desconhecimento do tema, cada vez que alguma revistéca ou livreto sobre vampiros, associa "serial-killers", pessoas doentes mentais e crimes hediondos ao vampírico - apenas para venderem mais.A apreciação da temática artistica e cultural do Vamp retorna a questão da compreensão do simbólico, do subjetivo e do metafórico no repertório cultural de um meio-social - e jamais da sua interpretação ao pé-da-letra no cotidiano.
O RPG: Este lance do RPG e crimes é uma generalização midiática pavorósa.O jogo no caso "Vampiro A máscara" passa-se em um mundo ficcional baseado em Anne Rice e mitologia monoteísta - nascido na década de noventa.Ele estimula a criatividade e a capacidade de trabalho em equipe dos participantes e incentiva o estudo de história e literatura.O que são pontos bem interessantes e até mesmo utilizados como ferramenta na educação em alguns colégios.Seu primoroso trabalho de arte e escrita, são obras de arte a serem apreciadas e curtidas dentro de seu universo ficcional.
Lá nos Estados Unidos depois do meio da década de noventa teve o caso daquele garoto, que virou até filme uma década depois - ele jogava "Vampiro-A Máscara", só que antes disso já era alguém com problemas mentais e cometeu um ato criminoso devido aos seus problemas mentais e índole criminosa - jamais por causa do "Vampiro A máscara".
Aqui no Brasil, no começo desta década, tivemos uma situação parecida onde uma garota foi morta por causa de dois criminosos - e a mídia tentou associar ao jogo de interpretação e representação de papéis.Isto chama-se "tendencioso" e falta de caráter ou de profissionalismo do meio impresso ou televisivo que permitiu tal atrocidade informacional.
Nestes casos criminosos, o que temos são pessoas com problemas mentais ou criminosos - que já eram o que eram e já cometiam seus delitos sem precisarem de estimulante algum.O RPG nada teve a ver com isso.Tanto que a maior parte dos jogadores ou ex-jogadores de RPG são pessoas como qualquer outras, que dificilmente apresentaram quadros de doença mental ou de comportamento criminoso.
O CEMITÉRIO:Comprovadamente, um cemitério deixou de ser ponto de encontro de "apenas góticos" há bem mais de uma década.Temos desde casais a procura de um cantinho mais quiétinho a traficantes; Até mesmo vigias e coveiros que vendem as escondidas crânios, ossos e órgãos clandestinamente para estudantes de medicina e odontologia.Se bem que este costume data desde o século XVII na Europa e era um dos principais "causadores" de lendas de mortos que se levantam dos túmulos...hehehe...de vampiros a zumbis. Vide o século XVII na Europa, toda cidade que evoluía rapidamente em questões de anatomia e medicina, invariavelmente tinham supostos surtos de mortos-vivos e histerias vampiricas nas cidades do interior e nos seus arredóres - ou em suas estradas comerciais.
Existe muito mais coisa, não realizada pelos "mortos" que acontecem nos cemitérios do Brasil em muitas localidades.Há poucos anos no Brasil, outro doente mental aliciava menóres de idade no interior, usando história de que era um vampiro e tinha que beber sangue e cometer outros delítos e mesmo planejar um crime contra uma mulher grávida. Algo digno de internação e prisão.Algo realmente hediondo e felizmente punido judicialmente.
Apesar de ter evidenciado os aspectos mais negativos da utilização do cemitério ao longo das décadas, existe também uma outra questão fascinante que nada tem a ver com crimes ou obscurantismos - É a temática da Arte Cemiterial e dos cemitérios antigos dos centros urbanos serem tratados como museus ao ar livre.Onde as obras de arquitetura de túmulos, mauzoléus e de estátuas entalhadas por grandes artistas são a grande atração.Aqui na cidade de São Paulo, temos passeios monitorados e organizados pela própria prefeitura para as pessoas conhecerem mais sobre esta temática da arte cemiterial.Tal elemento desperta a atração e o apreço de integrantes da Subcultura Vampyrica, da Subcultura Gótica e de pessoas de outras cenas culturais.A apreciação da Arte Tumular ganhou bastante evidência em São Paulo nesta década com o trabalho pioneiro do escritor e pesquisador Eduardo Rezende.É recomendado que visitem tais necrópolis nos horários de funcionamento delas.
Como você encara o modismo "freak/vamp" que surgiu entre os góticos desta geração? Vejo certa ignorância em atos ocorridos em raves góticas (como se cortar para beber sangue, por exemplo). A Vampyrismo.Org divulga algum material sobre como alertar o entusiasta do vampirismo sobre o perigo de tais atos?
Lord A:.-Assim, este lance de se cortar, de se mutilar ou de querer beber sangue próprio ou dos outros é algo que existe em todo mundo, há muito tempo.Não sendo privilégio de adolescentes ou de subculturas. Na década de setenta e oitenta haviam até mesmo os "bloodsports" entre alguns segmentos mais reservados do BDS&M e mesmo para algumas pessoas da cena gótica paulistana na década de oitenta mesmo. Não é algo novo ou recente.É um fetiche humano em geral relacionado a "sede de poder" sobre terceiros conforme explicado acadêmicamente.
O que acontece é que existe AIDS, Hepatite e uma grande gama de doenças que podem ser contraídas pelo contato ou ingestão do sangue dos outros e não existe uma forma segura de prevenção ou de avaliação sobre se o outro têm ou não tem alguma doença - para uso imediatista ou fora de um centro hospitalar adequado.E mesmo que alguém faça um exame num dia e no outro pratique algo assim e não conte para o parceiro...acontecerá a infecção.Imaginar-se fora disso ou que acontece apenas com os outros é um erro fatal.
Na Subcultura Vampyrica e em outras Subculturas urbanas desde a década de noventa, as pessoas pararam com este fetiche de beber sangue e coisas assim - pelo simples motivo de que pessoas morreram vítimas de doenças contraídas desta forma e pela evidente falta de segurança neste processo.Através do site Vampyrismo.Org e de toda minha obra reforçamos constantemente, que não bebemos ou utilizamos sangue em nossas práticas e que aderimos ao Black Veil desde 2005 quando fui um dos signitários convidados a participar deste código de ética e bom senso Vamp.Não há nescessidade alguma de consumo de sangue para se definir Vamp em nenhuma vertente.
No Brasil mais especificiamente em São Paulo, temos o Dia dos Vampiros todos os anos, sempre no 13 de agosto - onde vamps e pessoas alternativas reunem-se para doarem sangue voluntariamente na fundação Pró-Sangue do Hospital das Clínicas. Penso que esta iniciativa da cineasta Liz Vamp, é a melhor e mais interessante forma de abordar esta questão do sangue no mundo real.Doando sangue em um hemocentro de algum hospital, ajudamos a salvar a vida de até quatro pessoas.Particularmente, muito mais interessante do que qualquer fetiche.
O vampyrismo em apenas uma palavra.
Lord A:.- O sufixo "ismo" também caracteriza importantes movimentos e escolas das artes plásticas, musicais e literárias.Não dá para resumir em uma única palavra, a amplidão do tema é notável e seria desrespeitoso para com este conteúdo, fazer algo assim.
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