circulo strigoi  

 

Seu olhar fulgurante, se perdia na penunbra do teto,
ostentava o tédio, tédio acumulado pelos ciclos e ciclos de repetições das mesmas perguntas...

Parecia-lhe as vezes sua danação ter iniciado o fornecimento de respostas e o preço a pagar por aquilo que contava sem apelar para dogmas e
crendices do populacho...

Nesta seção oferecemos um F.A.Q com as perguntas mais frequentes e comuns que respondemos ao longo dos nossos primeiros cinco anos (2006)de atividade initerrupta presencial e na internet. Optamos por reunir entrevistas de Lord A:. que aconteceram ao longo destes anos, cujo as respostas podem servir como um ponto inicial para suas buscas e aprofundamentos.Você também pode enviar perguntas através do nosso FORMSPRING.

 
entrevista para o Jornal O Bruxo com Doulgas Phoenix(dez.2010)
O que é o subcultura Vampyrica e como surgiu?

Lord A:. A Subcultura Vampyrica é um meio social alternativo que se organizou e deu os primeiros passos nos EUA durante o começo dos anos setenta, reunindo uma ampla gama de pessoas que apreciavam a produção cultural vampiresca e que encontravam no "vamp" afinidade, pertencimento, sentido e uma sedução...Esta Subcultura se divide em um amplo número de "Fashionistas" pessoas que apreciam as vestes, decoração, produção cultural, filmes, músicas, filosofias-de-vida (se me permitem o termo)...e em uma vertente menor numéricamente denominada atualmente como "Cosmovisão Vampyrica" - uma forma de ver e de sentir o mundo em via politeísta ou panteísta para alguns, que busca no processo extático e na arte, na cinestesia, no sensorial, uma trilha de expressão de valores e meios de temperar sua vida de forma mais orgânica, dionísiaca e livre dos dogmatismos e artificialismos da cultura dominante.A Subcultura Vampyrica experimento seu auge no transcorrer dos anos da década de 1990, quando adotou a grafia mais arcaica de Vampyro, com a letra "y" ao invés de "i" e a letra "V" em maiúscula para diferenciar seus integrantes do personagem das artes.Este movimento começou nas ruas de Los Angeles e Nova Iorque e assim se espalhou pelo mundo.Sendo este um grupo coeso, com identidade e padrões característicos compartilhados por seus integrantes ao redor do mundo.Neste sentido empregado em nosso meio-social, o termo "Subcultura", talvez, pouco usual para o leitor quer dizer uma "cultura" de comportamentos, produção cultural e estética alternativa as da cultura dominante.Em nosso caso o termo subcultura nunca significa "contra-cultura", "movimento" e afins...tampouco "anti-religião" de qualquer forma...
 
Como vem sendo o crescimento do movimento pelo Brasil?
Lord A:. Bastante promissor e ordeiro.Conheço muitos grupos de estudos que orientam seus trabalhos baseados nos meus textos publicados na internet e temos muitos clientes em nossas lojas eletrônicas.Nos encontros dedicados a Cosmovisão Vampyrica sempre temos rostos novos que aos poucos se integram com os mais antigos e assim a roda vai girando...Temos registrados em nossos mailings mais de oito mil pessoas com maior ou menor grau de vinculação com a temática Vampyrica em diversas cidades dos estados brasileiros, argentina, chile, portugal e outros páises.Tanto no Fashionismo quanto na Cosmovisão, procuramos divulgar nossas idéias e manter a informação sendo vertida...aos poucos vamos reunindo pessoas interessantes e que em nosso meio encontram afinidade, sentido, pertencimento, envolvimento e acolhimento junto a pessoas que sentem e interagem com a Vida de forma convergente e complementar.
 
Como vocês encaram a analogia criada entre vocês e os vampiros da
literatura, cinema e cultura popular?

Lord A:. Vamos por partes...Na produção cultural em linhas gerais adoramos quando os vampiros são retratados como caçadores da vida, sedutores, glamourosos, perseguidores do sentido, daquilo que lhes traz sentido, pertencimento e Vida.Simbólicamente como impetuosas forças de mudança e assumindo seu papel de causa-efetiva na roda da vida.Não preciso dizer que Lestat de Anne Rice é uma boa referência neste quesito das artes.No campo das plásticas e das letras, assim como na música e na arte sequencial, vemos e sentimos o que a cultura dominante denomina "vampirico" por comodidade, como o elemento "pagão" nunca inteiramente assimilado pela cultura dominante, o "selvagem" sempre velado...que nunca desaparece inteiramente...É bastante frustrante para nós quando vemos obras culturais com excessos de clichês, normativas ou ainda baseada em abusos de politicamente correto - denominados vampirescos...Para nós um vampiro na produção cultural é um "caçador", um elemento que caça e que persegue aquilo que lhe traz Vida, alinhavando a aparência sedutora com o tigre ou lobo que moram em seu peito.Excluindo os filmes Nosferatu do Klaus Kinski e o curta-metragem brasileiro Akai - detestamos quando o vampiro é retratado como mero parasita ou alienado de sua pulsão e impulsos de caçada...Da mesma forma como no geral achamos um saco filmes como 30 dias de noite, ultraviolet e aquele recente do Will smith - onde vampiros são confundidos como Zumbis e etcs...

Um adendo importate é que o Brasil possui um dos maiores mercados literários para o gênero vampiresco do mundo.E desde a década de noventa temos uma rica tradição de escritores e contistas como Flávia Muniz, Adriano Siqueira, Giulia Moon, Martha Argel e o autor bestseller André Vianco capitaneando os sonhos vampiricos junto ao influxo constante de novas e novas ondas de autores com obras muito ricas de imaginação, tensão, romance e sangue...

Podemos então dizer que Vampyras e Vampyros apreciam e incentivam a produção cultural do gênero.Outro ponto interessante é que independente da letrinha, tanto faz se for "i" ou "y", todos se reúnem no Dia dos VampiroS(www.diadosvampiros.org) aqui em SP e em outras capitais para doarem sangue aos hemocentros públicos e promoverem a igualdade e bandeiras artisticas, em uma campanha organizada independentemente pela cineasta e autora" Liz Vamp".
 
Vocês são alvo de preconceito por aderirem a tal subcultura?
Lord A:. Se eu disser "não", estarei mentindo ou omitindo a realidade.O preconceito existe em qualquer lugar a tudo aquilo que é desconhecido e não se enquadre no empobrecido "senso-comum das coisas-como-são" que não passa de só mais um conjunto de comportamentos estúpidos aprendido e repetidos mecânicamente pelas massas que insistem em colocar sua responsabilidade pessoal e apropriação da própria vida nas mãos de terceiros que façam isso por elas...Ufa! Tente falar tudo isso de uma vez só e sem respirar...(rs)...Sejamos francos o símbolo ou significantes do "vampiro" dialogam com sensualidade, sexualidade, noturno, morte, o que é realmente viver?, o que é perseguir aquilo que lhe desperta Vida...Enfim, são temas que assombram e também deslumbram a mentalidade mediana.Então, quem vai escolher viver este meio-cultural seja ele fashionista ou de cosmovisão tem que estar pronto para "pagar-o-preço"...

Via de regra, não vestimos apenas cor preta, as roupas mais "expressivas" guardamos para eventos e rituais; nossas moradas tem paredes com cores agradáveis; apreciamos o melhor da vida dentro das nossas possibilidades profissionais e financeiras; muitos de nós, casam e tem filhos e valorizam a familia; ostentamos e cumprimos nossos compromissos sociais com honra;
Mas particularmente, é uma vida mais interessante, rica de conteúdos, repleta de sentido, pertencimento, humor afiado e onde apesar dos excessos visuais as pessoas são mais honestas consigo, mais francas e sabem que vir-a-ser o protagonista da própria vida não é só uma máscara de querer agradar a todo mundo ou de excessos artificiais de "politicamente-correto".
 
O que é ser um Vampyro frente a sociedade atual?
Lord A:. Respondo apenas por mim: "É integrar um meio-cultural ou subcultura de costumes e identidade dionísiaca, politeísta e libertária sob muitos aspectos.Onde não cultivamos culpa, compaixão e parasitismo de qualquer tipo.Vir-a-ser um Vampyrico Contemporâneo é viver com as consequências dos nossos atos, afinidades simbólicas ou pessoais e sempre caçando aquilo que nos traz "Vida" instante a instante." Como disse, respondo exclusivamente por mim. Vampyras, Vampyros e Simpatizantes tem suas próprias respostas individuais para esta questão e é sempre interessante poder conhece-las...Como a entrevista é comigo, estas são as palavras nas quais eu caminho!
 
É comum existirem pessoas nesse movimento apenas por "moda"?
Lord A:. Sim, Claro! Todo meio-social tem pessoas que estão lá só por curtição e algum modismo passageiro.Isso não tem nada demais.Ciclicamente temos "booms" vampirescos midiáticos.Nos anos oitenta foram com os filmes"Lost boys" e "Fright Night";ainda neste mesmo período tivemos adaptações de Drácula em duas novelas: Drácula (TvTupi) e Um Homem Muito Especial (Band) e até no teatro aqui no Brasil com Raul Cortez.Na década de noventa foi com "Entrevista com o Vampiro" e "Drácula de Bran Stocker" e o folhetim global da novela "Vamp" (Globo); No começo dos 00´s foram com os filmes "Blade", "Van Helsing" e "Underworld" e atualmente é com Crepúsculo e derivados.A cada "boom" a cena é superpopulada por recém-chegados, mas vai passando a moda eles vão se afastando para as novas modas...Só que sempre fica um número de novatos interessantes que vão se envolver e perpetuarem aquele conteúdo.
 
Como é a relação desse grupo com as diversas vertentes neopagãs?
Lord A:. Aparentemente tranquilas, nobres e cordiais.Pelo menos no que diz respeito aos integrantes do Círculo Strigoi de todas as épocas, sempre fomos acolhidos, bem recebidos e tratados com grande respeito por nossos atos e conteúdos veículados neste meio.Isso se deve ao fato de desenvolvermos um trabalho maduro, bem fundamentado e que apresenta o vampyrismo no sentido de Cosmovisão Vampyrica com dignidade arcaízante e histórica - assim como outras linhagens nobres do Neopaganismo tais como as Tradições Wiccanianas, Xamanismo, Sagrado Feminino, Druidismo, Asatru, Reconstrucionismo e tantas outras.
...
O que tomamos como Vampyrismo nunca teve nada a ver com parasistismo, timidez, incapacidade de conviver socialmente, auto-mutilação, péssimo caráter, bullying, assédio moral e viver aprisionado em jogos de palavras inconsistentes como parasita ético..."Vamps" não são carrapatos ou sangue-sugas de nenhum tipo.Por aí as pessoas ouvem ou assistem muita distorção e comportamentos indignos perpetuados por pessoas que não tem a menor vivência prática do que seja esta forma de ver, de sentir e de agir no ecossistema.Existe muito site e muita publicaçáo extremamente empobrecida sobre o que se relaciona com o Vampyrico e mesmo com o vampirico quando folclore ou espiritualidade - tudo isso vem a prestar um grande desserviço as pessoas que vivenciam este meio-social ou quem interege com ele.
 
Existe alguma maneira de descobrir se alguém é realmente um Vampyro ou é apenas um charlatão?
Lord A:. Só convivendo que você vai saber.Não tem como alertar ou bolar uma receitinha de como se verificar a índole de alguém sem ter convivido com este alguém.Não vou entrar nos alarmismos crísticos piégas de "cuidado com falso profeta" e coisas assim...As dicas que podemos conceder são as seguintes: "Você não é e nem pode ser obrigado ou obrigada por terceiros ou terceiras a fazer algo que não concorde ou que lhe agrida de alguma forma." Sempre é importante informar também que no geral não sacrificamos animais, não bebemos sangue-humano ou animal, não somos parasitas (nem existe ética em ser parasita), não matamos, não roubamos...Na dúvida, se você encontrar algo muito diferente do texto de abertura de www.vampyrismo.org procure manter uma distância segura.
 
Declaração final.
Lord A:. Nada substitui a vivência plena e prática.Vivemos no tempo que muita gente apenas absorve informação em seus quartos e fazem de conta que são muitas coisas ou que conhecem muitas coisas e se escondem atrás de fachadas de melancolia e falsos estrategismos e não conseguem vivenciar nada plenamente ou ainda consequencialmente.Quando falamos de politeísmo, panteísmo e paganismo - falamos de arte, de criatividade e de como nossa capacidade de criar conjuntamente o "meio" para seduzir os sentidos, fortalecer a têmpera pessoal e ampliar nossa capacidade de reconhecimento da vastidão e amplitude das coisas do mundo...Aqui falamos de vivos e de mortos sobrepostos e agindo simultaneamente, vivemos de recolher, entender e recriar ou criar de novo obras inspiradas nas obras de outros...e de como nossos atos, escolhas e principalmente obras deixarão suas marcas para os que vierem depois...Em algum momento alçamos o "êxtase" e o "arrebatamento" deixando de ser parte e experimentando o "todo", morrendo e retornando durante a vida...tudo isso diz respeito a forma como vivemos e fazemos nossas escolhas instante a instante.De como caminhamos sobre as palavras que escolhemos expressar sobre nossa própria história de vida, tanto para sí (nosso eterno ouvinte) quanto para os outros com os quais convivemos - autores e co-autores de tantas histórias que interagimos ao longo dos dias.Assim vem-a-ser para quem vivência alguma faceta da Cosmovisão Vampyrica independente do grau de vinculação que sustente para com esta trilha...Sigam suas Inspirações! Envolvam-se com o que traz plenitude! Ride the Dragon!
 
perguntas de uma estudante da PUC (enviadas por email, para um trabalho)

Por que "Vampyro" e não "vampiro"?
Lord A:. - Nos anos de 1990 as pessoas nas ruas de Los Angeles e Nova Iorque passaram a usar esta diferenciação como forma de retratarem pessoas que tem um modo de vida Vamp. E que consequencialmente são pessoas reais, que estudam, trabalham, casam-se e que tem modos de vida como qualquer outra pessoa - não sendo personagens de livros, de filmes ou pessoas que encenam que são vampiros como em filmes e coisas assim.Logo, Vampyro com "y" indica integrante da Subcultura e vampiro com "i" apenas referencia personagens da produção cultural.

Quais as características de um Vampyro?
Lord A:. - Existem Vampyricos e Vampyricas demais para podermos sintetizar algo mais específico.Observando perfil de integrantes da cena podemos apontar que são pessoas reais, um grande número aprecia o "fashionismo vamp" e uma visão mais aprofundada, apreciadora de arte, literatura e com visões muito próprias do mundo.Um segundo contingente menor em números aprecia a cosmovisão neopagã presente na Subcultura e intitulam-se "Strigois".Em ambas as vertentes temos pessoas com visões e modos de vida alternativos e independentes, bem insertadas no mercado profissional, cursando faculdade ou pós-graduações.Podemos dizer que "Vamps" possuem uma sensibilidade mais elaborada, são extremamente críticos mas não a ponto de tornarem-se "blazés", utilizam-se de todo potencial de seus visuais e de suas prêsas para aprimorarem suas vidas e as tornarem mais plenas.

Um Vampyro prefere a noite do que o dia? Por quê?
Lord A:. - A noite é mais gostosa.Mais fresca, menos formal e fornece um clima de cumplicidade e de intimidade mais apreciado e confortável para os integrantes da Subcultura Vampyrica.

Por que utilizar um nome diuro e outro noturno?
Lord A:. - Este costume vem dos Americanos.O nome diurno você recebe e ele carrega um projeto e uma significação que lhe foi dada por terceiros. Já o nome noturno, é um nome que você escolhe e que é capaz de expressar melhor seu próprio projeto e modo-de-vida.Inicialmente esta prática visa oferecer uma cobertura ou uma "guarda" para preservar sua vida diurna internamente na Subcultura e externamente na cultura dominante.Seria muito embaraçoso para alguém como um diretor de empresa ou uma médica que não se revelou publicamente seu modo de vida Vampyrico, ser abordado como tal no escritório ou no consultório...não acha?


Quais os maiores mitos em relação aos vampiros? Estaca de madeira, prata? E o que é verdadeiro?
Lord A:. -Digamos que estacas no tórax e decapitações matam praticamente todo tipo de animal do Ecossistema - não só vamps...

O que significa beber sangue? Pelo que eu entendi, não é algo literal.
Lord A:. -Não bebemos sangue. O que acontece é que o ato de beber sangue é um fetiche de poder, pessoas acreditam que ganharão poder sobre outras ao realizar tal ato. Esta não é uma prática vampírica ou exclusiva do gênero ou segmento. A verdade é que na Subcultura Vampyrica durante os anos de 1970 a 1990 muita gente morreu ou contraiu doenças como hepatite ou AIDS devido a esta prática e na década corrente o pessoal foi gradativamente parando com isso; Outro problema é que geralmente esta prática atraía atenção policial e criminosos ou doentes mentais externos a subcultura fizeram muita besteira e cometeram crimes passando-se por Vamps e isso atraiu péssima reputação e muita perseguição a Subcultura em outros países. Então convencionou-se que Sangue é apenas uma metáfora para designar a fluidez da vida e os ciclos initerruptos da vida interior, da vida psicológica e das estações climáticas do ecossistema. O sangue renova-se a cada instante em seu corpo e se revitaliza...É uma metáfora forte, que nos recorda do valor de viver e de se renovar presencialmente durante a existência.

Vocês utilizam dentes (fangs)? Por quê? Quais as regras?
Lord A:. -As prêsas são um importante acessório estético, geralmente fashionista e um símbolo lúdico do "vamp".Elas recordam um arquétipo selvagem e animalesco inerentemente associado ao mito do vampiro - que faz referência ao sensorial, ao lúdico, ao dionisíaco e a "lust for the life"; Algumas pessoas utilizam sob o fetiche da potencialização de suas habilidades de sedução e atração, outras utilizam porque sentem-se bonitas com elas...As regras principais das Fangz visam assegurar o glamour, a conservação e a preservação higiênica delas.No site www.vampyrismo.org/fangz você pode conferir quais são.

Tu acredita na existência de vampiros? Por quê?
Lord A:.-Históricamente a palavra "Uppyr" que hoje convencionamos como Vampiro, no século X era usada no norte da rússia para designar pessoas reais não convertidas ao catolicismo e cidadãos de segunda categoria por habitarem os campos e manterem ativos os antigos cultos de fertilidade da terra baseados em processos extáticos e elaborados em torno do mito da caça selvagem.Tudo isso terminou no século XII por falta de continuidade e todos fundamentos foram perdidos, restando apenas fragmentos documentais que existiram e não suas receitas.Então, desta forma um tanto quanto malabarística, eu acredito em "vampiros".

Em compensação, quem conta um conto aumenta alguns pontos.No século XV o personagem do folclore foi inventado baseado em descaracterizações do conteúdo do século X, assim como as bruxas.O romantismo (século XVII em diante)irá criar suas obras baseado nesta distorção; os místicos, espiritualistas,ocultistas e afins vão colocar alguns pontinhos a mais nesta equação e vão usar o vampiro inventado no século XV de forma bem estranhas em suas doutrinas...O cinema e os quadrinhos do século XX vai fazer uma enorme salada genérica com tudo isso...Enfim, para resumir este segundo caso de vampiros eu apenas aprecio como entretenimento e produção cultural de cada época.

O que a tua família acha sobre o assunto? E os amigos?
Lord A:. - Bom, vivemos muito bem atualmente.No passado minha escolha incomodou e intimidou, mas quando entenderam que eu continuaria estudando, trabalhando e estruturando uma carreira profissional na minha área de atuação ficaram mais tranquilos - não posso dizer que aprovam 100% mas posso dizer que respeitam meu espaço e que cultivamos vínculos densos e sólidos desde então, quando temos problemas conversamos e assim vamos vivendo.
Sempre fui alguém que mantêm apenas o número de amigos/amigas com quem pode se importar ou compartilhar idéias, conversas e impressões.Em relação a amigos, penso que já ví de tudo.Existem aqueles que apreciam, existem aqueles que não-apreciam.É fato que quando escolhe-se "vir-a-ser" como você sente que deve "vir-a-ser" não iremos agradar a todos e até mesmo devemos nos preparar para algumas renúncias e o afastamento de algumas pessoas que não aceitarão a escolha.
Como sou alguém que priorizo primeiramente as pessoas e não seus vínculos ou modos de vida, tenho amigos e amigas Vamps e Não-Vamps.E posso dizer que tenho boas pessoas com quem tenho amizade a minha volta.

-Vocês promovem eventos? Que tipo?
Lord A:. - Temos eventos láicos (festas) com pista de dança, expositores, saraus, exposição de arte e shows de pequenas bandas alternativas em geral de eletrônico frequentado por Vamps e Goths.Existem também eventos culturais com palestras, viagens de imersão neste conteúdo e práticas para Vamps neopagãos e simpatizantes.Em ambos os casos apenas maiores de idade legalmente podem comparecerem e adentrarem os eventos sociais promovidos em nossa cena cultural.

 
entrevista para o zine Flores do Lado de Cima (com Rosana Raven - 2009)

Quando originou-se o ideal da Vampyrismo.Org?
Lord A:.-O site Vampyrismo.Org era um projeto que eu tinha pelo menos desde finais de 2003.Mas se eu pensar um pouco mais, vou concluir que eu tive idéias deste tipo pelo menos desde o final da década de noventa.No entanto, em finais de 2006 já faziam cerca de aproximadamente três anos que eu escrevia sobre o tema como colunista em alguns sites de vertentes relacionáveis e participava como palestrante de algumas conferências sobre assuntos associados. Era a hora de estruturar e centralizar um pouco melhor todo este trabalho.Fazendo o que se gosta, em geral acertamos e atraímos para nosso cotidiano pessoas convergentes e projetos sincronizados com as práticas. Estamos no terceiro ano de atividades initerruptos do nosso site (2009), hospedamos muitos projetos paralelos nele e até mesmo um podcast mensal ( um programa de rádio internético sobre a temática).Como não sou de contar a quantidade de pessoas que passa rapidinho no site e sim as que se detêm por algum tempo, mantemos uma média mensal superior a quinhentos visitantes semanais, que se detêm um bom tempo para ler, escrever emails, ouvir música, ler nossos conteúdos, trocar idéias, participarem da nossa comunidade eletrônica e que ainda arranjam um tempinho em suas agendas para encontros presenciais.

Qual o significado do vampirismo para você (como cultura e modus viventi) e como é levar pra frente um arquétipo que por si traz a memória da morte e da dominação do mais forte?
Lord A:.- Bom, neste caso respondo apenas por mim - nos símbolos o vampirco concilia em sí paradoxos e antagonismos como vivo e morto, selvagem e refinado e traz um questiona-mento do que é realmente viver.O poeta Coleridge, autor de Christabel já dizia que os "opostos se encontram" - penso que simbólicamente ele acertou ao dizer isso - até mesmo que isso tem bastante a ver com a produção artistica associada ao vampírico.O que eu acho é que aquilo que incomoda (ou incomodou muito mais entre os séculos XV e XX) a cultura dominante como morte, opção sexual, o orgânico, moldes de civilizações diferentes ao padrão europeu ocidental, a ambiguídade, forasteiros e aquilo que lhe era alternativo era sempre atribuído a algum personagem ou rótudo depreciativo.As primeiras poesias e historietas do século XVII sobre vampiros eram exatamente sobre estes temas.E mesmo o personagem dos filmes e livros atuais são re-interpretações que descendem ou são influências do período que citei.

Se olhamos para o ecossistema a nossa volta veremos que vida devora vida, força devora força e até mesmo estrela devora estrela nos céus.Enquanto isso, lá na varanda da chácara dos meus amigos, beija-flores (jóias voadoras, como alguns chamam) duelam violentamente pelo dominio e a posse territorial do pote com água adocicada.Este é o ecossistema onde vivemos, mas idéias assim, orgânicas, incomodam as idealizações e os escapismos da cultura dominante.São elementos comuns a todas espécies "vivas" presentes no ecossistema.Então, não há nada de essencialmente "vamp" ou de conhecimento secreto nesta afirmação.Afirmar ou reconhecer estes padrões do ecossistema não torna ninguem mais "vamp" do que nínguem.É o tal do ciclo do carbono afinal.

Além do ecossistema, nós enquanto humanos e integrantes de um país, buscamos um ponto de equilíbrio e de respeito as leis e normas que dirigem e permitem a diversidade continuar existindo respeitando os espaços uns dos outros. Neste caso o tal do "mais forte" é sinônimo de mais "hábil", do mais industrioso, é aquele capaz de sustentar a sí, defender seus valores, seus teritórios, seu modo de vida e a forma como vê o mundo com autênticidade, ética, conhecimento e principalmente com "atos". Simbólicamente, segura a boca do leão aberta com tranquilidade ou ainda vêm a tombar o leão com graça e um arco e flecha, como Atalanta dos Argonautas...Ou ainda aprende a cavalgar e manter o rumo de tudo aquilo que lhe traz ardor, tesão e pertencimento.Isto é força nos sentidos mais aceitáveis.

A morte vêm por aí uma hora destas e é inevitável.Então, é melhor viver bem fazendo o que gosta e curtindo enquanto vivo.A cultura dominante pontua a felicidade em um futuro hipotético ou em uma outra vida como forma de reforçar o conformismo reinante.Vamps procuram a felicidade no "agora" ou no momento presente.Não temos pecados ou estranhas noções de livretos comerciais ocidentais de "kharmas" e "dharmas" que acumulamos ou desacumulamos.Logo, um modo de vida vampyrico é uma existência mais rica de plenitude e prazerósa.A "morte" é toda vez que seguramos nossas palavras, vontades e aquilo que gostáriamos de viver, dizer ou de fazer, meio que natimortas em nossa garganta ou na mente - e depois ficamos nos remoendo por não termos realizado ou falado...Óbviamente, a morte ou os mortos não alimentam a vivacidade de integrantes da Subcultura Vampyrica.

Poderia nos dar uma explicação sobre o porquê do Y na palavra Vampyrismo, tanto utilizada pelo grupo? Sua utilização é meramente ornamental ou possue algo mais profundo?
Lord A:.- Segundo a própria história contada em livros, sites e declarações presentes na cena vamp, em meados de 1996 na Europa e EUA os integrantes optaram por utilizarem a grafia antiga da palavra para definirem seus modos de vida e diferenciarem-se dos conteúdos do modo de vida e da forma como enxergam o mundo - daquelas pessoas que apenas fantasiam ou querem fazer de conta que são um estereótipo ou personagem caricato.

Outro fator da mudança da letra foi a hiperexposição midiática que aconteceu na mídia principalmente nos EUA sobre o tema Vamp - na segunda metade da década de noventa.E assim o trem foi seguindo...

Significados mais profundos existem dos mais váriados, o mais frequente refere-se a obra "The Vampyre" do Polidori, uma deliciosa prosa romântica de alguns séculos atrás escrita decalcada de uma obra de Lord Byron...Nessas e outras vamos retroceder até "Christabel" de Coleridge.O que me faz pensar, que o significado mais profundo seja - não se interpreta símbolos e mitos linearmente ou como realidade absoluta, tudo isso fala do metafórico, do subjetivo e questiona comportamentos estagnados, tabús como sexualidade e a morte.Evidência e questiona também as falhas do positivismo, racionalismo, mecanicismo, iluminismo...Trazendo o "Vampyrico" como uma importante ferramenta de reconhecimento, aceitação de que o humano é tão somente mais uma parte do ecossistema.

A Subcultura Vampyrica teve seu início lá no começo dos anos de 1970, quando era o que chamamos hoje de uma "proto-subcultura Vampyrica".Seu inicio se deu através de fanzines,pequenos eventos e encontros, trocas de correspondências entre artistas, escritores, músicos, simpatizantes, apreciadores e neopagãos.De lá até os anos de 1990, são quase vinte anos de história.E dos anos de 1970 até os dias de hoje (2009) são cerca de quase quarenta anos initerruptos...Toda esta história é abordada nas primeiras edições do podcast VoxVampyrica e também em meu texto cronologia- ambos disponíveis em www.vampyrismo.org.

Já sofreu algum tipo de repreensão social sobre o seu estilo de vida? Cite um caso curioso.
Lord A:.- Tudo que é novo, assusta, incomoda, faz re-pensar e coloca em cheque valores anteriores tanto nas subculturas alternativas quanto na cultura dominante.Quem escolhe "vir-a-ser" alternativo, seja a cultura ou a religião dominante - têm que saber e aceitar que vai enfrentar problemas e por mais "legal" que seja com os outros - suas idéias, posturas, roupas, discursos terão que ser sustentados com autênticidade e conhecimento. E vir-a-ser autêntico requer consciência de que você deve falar "pela frente" do que sente sem medo de magoar alguém.Conhecimento requer estudo e vivência. E que o seu visual "artificial" para a cultura dominante coloca em cheque as idéias do que é "natural" ou aceitável - a sua volta.Isto incomoda, e pessoas expressam seus incômodos ao que temem ou não são capazes de lidarem, através de formas variadas.

Particularmente, tive uma história engraçada que aconteceu em 2004 quando voltava para casa a tarde - estava sem visual "vamp" inclusive. Um grupo de 16 pessoas de uma fervorosa igreja da minha região, me cercou em frente da minha casa. E começaram a rezar por minha alma...Eu agradecí educadamente, dizendo um obrigado e que todas bençãos retornem a vocês também.Comigo mesmo, achei estranha, teatralizada e "gritada" demais demonstração de fé daqueles caras.Mas penso a Terra é bem grande para comportar muitos Deuses e Deusas, seus cultos e nenhum deles é melhor do que o de outro povo, tem espaço para todo mundo.Só que o teatro deles não parou e continuou assumindo um tom apoteótico...

O líder do grupo discursou histéricamente que eu estava possuído por Lúcifer, Satã e o demônio em pessoa.Esperei ele terminar o show e lhe disse, que isso era improvável, pois eu era pagão e não acreditava que os símbolos ditos por ele representassem algo importante ou relevante para mim.

O lider do grupo ficou ainda mais possesso e seus seguidores começaram um coral desafinado de preces, apêlos e gritos aos céus...Com direito a estenderem os braços e gritarem ainda mais alto...Bom, como eu sou da Terra mesmo, caminhei até a frente do líder do grupo, olhei firmemente em seus olhos e disse: Se eu tô possuído, faz teu sinal da cruz...Se eu desaparecer, tá beleza! Se eu continuar aqui...Ele recuou amedrontado, pararam com o com a apoteóse na mesma hora e ele partiu "cabisbaixo" junto com seus seguidores - por sinal, bem desmoralizados.Eu gargalhei da cena e entrei em casa. Histeria coletiva na frente da casa dos outros não é religião de nenhum tipo é só baderna de rua. Depois disso nunca mais tive problema algum com eles.

RHB- A estética apresentada sobre o mito do vampiro nos sugere uma certa escatologia (dormir em túmulos, sugar sangue, etc). Você é favor destes estereótipos? Por quê?
Lord A:.- Acho que é legal pontuarmos que "escatologia" é também o oposto da cosmogonia. Enquanto que na cosmogonia falamos do nascimento ou do surgimento do universo - em geral sob uma visão mitológica; Já na Escatologia, também sob uma visão mitológica falamos do final, do como termina e do para onde (talvez) iremos. A forma como acreditamos ou sentimos o elemento "de onde viemos" nos traz a inspiração para o presente;Já a forma como acreditamos ou sentimos que iremos terminar, orienta nossas escolhas e decisões pela vida.

Penso que enquanto arte (plástica, música, teatro, letras e etcs) deve-se ter a liberdade de representar o que se imagina.A arte neste caso é blindada, armada, vibrante e certamente intensa - quando alguém cria obras de arte que chócam de alguma forma, está usando de símbolos e de imaginação para relaciona-los em sua obra - e logo acabará por questionar valores corporais,sociais, espirituais, políticos e muitos outros que lhe afetam e por consequência afetam agrupamentos sociais.Fechar os olhos para isso tudo ou tratar tais obras de arte com descaso ou imaturidade...Não é muito diferente do que artistas do "expressionismo" ou do "simbolismo" experimentaram em suas épocas. Ou ainda da forma como "facistas" tratam até hoje tais conteúdos como arte degenerada.

Existe também a função apotropáica da arte considerada "escatológica".É mais ou menos como a carranca que os barqueiros das chalanas do pantanal ou do rio Amazônia colocam em frente aos barcos - espantar maus-intenções, confundir, proteger e vigiar com quem vai se relacionar.Este elemento é meio escondido, mas presente tanto na subcultura gótica quanto na subcultura vampyrica .Existe o labirintico padrão de linhas desenhadas nos entalhes de cruzes, maquiagens e outros símbolos apreciados e utilizados nos adreços dos integrantes.É uma expressão clara deste caráter "apotropáico" de proteção a sí ou do esconder-se para revelar-se apenas a quem merece, como a gente tanto ouve em festas ou lê na internet por aí.

Penso que a grande quantidade de imagens "escatológicas" que muita gente usa como avatar ou nos seus álbuns digitais - seja uma intensa crítica ao que vemos na cultura dominante como padrão de beleza ou de conduta.
Vivemos em uma época de insanos cultos químicos a juventude eterna, negação do aspecto do ancião, do discurso que não existe discurso ou rótulo algum, consumo exagerado de prozacs e anabolizantes para o sustento de uma falsa imagem de poder, virilidade ou de eficácia; Vivemos uma época dos padrões de beleza que amarram, comprimem, rasgam, amputam e dilaceram corpos femininos e ainda de grande descentralização social e emocional.O reflexo acontece na produção e nas preferência cultural e artística de nossa época.O vampiro como símbolo re-significado nas artes, desde o romantismo no século XVII é exatamente uma metáfora eficaz para debatermos ao agônico de cada época. Deve ser por isso, que ele é um tema tão recorrente hoje.Da inocência pervertida de Lestat ao limpinho e cheio de nojinhos Edward Cullen...uma fúria ctônica lavada...

Enquanto arte, havendo padrões coerentes de estética e de boa execução sobre um suporte apropriado - o escatológico na arte é algo fantástico.E vai de encontro, com o que eu já disse nesta entrevista sobre a compreensão dos símbolos como algo metafórico e subjetivo.E não de significado ao pé-da-letra.

É importante validar que o tema do "vampiro" pelo menos desde os anos setenta do século XX, já se abriu a uma gama bem grande de possibilidades de exploração simbólica, ou seja já saímos do estereótipo sangue, cemitério,caixões e túmulos nas artes.E isto deve igualmente ser levado em conta pelas novas gerações de artistas sedentos por explorarem a temática Vamp.Sair do lugar comum e do conformismo que muitos editores e a industria cultural cobram nas artes sobre "Vamps" é uma tarefa árdua, mas quem leva a sério e busca um lugar ao "luar" deve empreendê-la.A arte exige este tipo de risco e de embate para manter sua autênticidade - e mantêr-se perturbadora e instigante...o olhar brilhante que paralisa no meio da noite...que antecede a mão que puxará para a inescapável escuridão... onde lábios delineados se abrirão, revelando dentes pontigafuos...e a mordida...sempre a mordida...Nas artes, claro!

*Apenas deixo a ressalva que aquilo que é possível nas artes plásticas, letras, música, teatro e etcs - pertence exclusivamente a liberdade da expressão artística. No mundo como ele é, existe hepatite, aids, questões judiciais, horários de visitação à espaços públicos, respeito ao espaço físico e simbólico de outros agrupamentos sociais ou devocionais e etcs - que respeito e penso que devam ser igualmente respeitadas por todos - sem excessão - que apreciam a temática Vamp ou integrem esta Subcultura.

Conte-nos um pouco sobre seus projetos, inclusive sobre os grupos de estudo sobre o Vampyrismo que promove.
Lord A:.- O Site Vampyrismo.Org hospeda diversos projetos destinados a vertente fashionista e a vertenta politeísta/panteísta da Subcultura, assim como aos simpatizantes e buscadores de informação sobre este contexto.Temos uma rádio com seis djs residentes e um programa mensal de podcast que é o Vox Vampyrica - onde informamos sobre o tema - a programação musical do programa e da webradio é voltada para a temática eletro, synth, darkwave, ethereal tão apreciada e parte integral dos eventos da cena local e do exterior.

Temos a Fangz Culture que produz dentes vampiricos removiveis e personalizados, de qualidade cinematográfica desde 2007, sendo o primeiro studio do gênero no Brasil. Gosto de falar bastante da "Cronologia da Produção Cultural de temática Vampirica no Brasil" uma listagem ampla e bem completa do gênero desde os anos cinquenta até as noites de hoje.Temos a Rede Vampyrica com cerca de 300 leitores do site, que opinam, publicam blogs, álbuns de imagens e participam de fóruns específicos sobre Vampyrismo...

E claro, temos o Cìrculo Strigoi/Officina Vampyrica que é um grupo coordenado por mim dedicado ao estudo do conteúdo e práticas da vertente politeísta ou da panteísta na Subcultura Vampyrica. Fundei este grupo ainda em 2006, atualmente (2009) estamos na metade do terceiro ano de atividades initerruptas de práticas e de estudos sobre o Vampyrico.O que é algo bem expressivo e uma referência internacional sobre o tema em idioma português

Ao longo dos meses do ano o Círculo Strigoi/Officina Vampyrica celebra solstícios, equinócios, realiza encontros abertos, workshops e cursos-livres sempre destinados a temática Vampyrica e mantêm suas atividades em um espaço muito conceituado e confortável nas proximidades do metrô vila mariana.Além das atividades neopagãs, também realizamos saraus, mostras de dança e brevemente outras novidades...

O ideal para quem deseja conhecer mais, é se inscrever préviamente pelo email: officinavampyrica@yahoo.com.br - nos workshops ou encontros abertos que realizamos.Para poder experimentar, vivênciar e entender o fascínio noturno que envolve a vertente politeísta/panteísta da Subcultura Vampyrica.Se você não conhece muito sobre o tema, fique tranquilo, nos encontros presenciais informamos desde o mais básico aos assuntos mais complexos - de forma detalhada, cronológica e acessível.Apenas lembramos, que para participar você precisa ter pelo menos dezoito anos.Para conhecer mais é só visitar www.vampyrismo.org/officina

Existe um público fiel sobre o tema "Vampiro" aqui no Brasil?
Lord A:.- Existe sim.É um público numeroso que comprime uma grande gama de simpatizantes, apreciadores de literatura fantástica, universitários, profissionais de áreas variadas, místicos e fashionistas.Pelos expressivos números de visitação do site, envio de emails, contatos no msn venho percebendo que o público se espalha e está gradativamente crescendo pelas capitais e pelo interior do país.Isto é fascinante, recebemos também muitos leitores de Portugal, Espanha e da América do Sul que estão apreciando e curtindo nosso trabalho e incentivando seu aprimoramento.

O ideal dos "Fangsmithers" é uma novidade por terras brasileiras. Como foi introduzir esta idéia por aqui e quais foram as principais barreiras enfrentadas.

Lord A:.- Legal contarmos que Fangzmithing é a arte de produzir dentes vampíricos removiveis e personalizados como jóias e adornos pessoais de qualidade hiper-realista. Fangzmithing é uma arte.Leva tempo para ser aprendida e vai muito além de apenas colocar uma prótese ou algo parecido.Envolve conceitos de estética, visagismo, domínio de material, técnicas especiais de fixação - e principalmente um atendimento apropriado entre o profissional e o cliente, com uma longa entrevista - para desenhar-se e forjar o par de prêsas perfeito e apropriado para o/a Vamp em questão.Tanto que o momento em que eles se olham no espelho, nem 1000 palavras podem descrever a sensação experimentada.

A única dificuldade que enfrentamos foi a pouco tempo um plagiador picareta, que tentou roubar nossos textos e fotos do nosso trabalho na internet - e saiu por ai em alguns points alternativos...Os serviços que ele ofereceu eram deprimentes em qualidade e danificaram os dentes das pessoas que usaram.Não basta modelar uma resininha e assistir filmes de vampiros.Fangzmither é uma arte demorada e complexa de ser aprendida.

Mudando o rumo iniciamos eu (no conceitual e subjetivo) e Wo´Ha´Li (que é dentista) a Fangz Culture em 2007 e ela mantêm até hoje clientes permanentes que apreciam nosso trabalho e valorizam o uso de suas fangz tanto particulares como também públicos.As prêsas de Liz Vamp desde a metade de 2008 e de outros vampiros de seu longa-metragem estão sendo produzidas por nós.

Há pouco tempo, um par de Fangz de um cliente intimidou um assaltante e o colocou para correr.Muitas vezes, os relacionamentos de casais tornam-se ainda mais marcantes quando utilizam suas prêsas a noite.Penso que nós trabalhamos com oferecimento de uma forma de expressão individual, que eleva e "apimenta" a qualidade das experiências sensoriais, trazendo glamour e encanto para as noites de nossos clientes.Somos gratos de coração a todos eles, pelo apoio incondicional desde o começo.E a vocês da RHB pela divulgação e apoio ao nosso serviço.

RHB- É necessário ser gótico para ser um vampyro? Existe uma outra "tribo" frequentadora dos workshops da Vampyrismo.Org ou ela é uma especialidade privada ao submundo goticista?
Lord A:.- É uma pergunta interessante, nos eventos presenciais e mesmo em nossa rede eletrônica temos o comparecimento de integrantes da Subcultura Gótica e também de pessoas que nada têm a ver com qualquer cena musical alternativa.Muitos Vampyricos e Vampyricas Neopagãos, não são e nem foram góticos.Existe uma grande variedade de pessoas interessantes, com vivências diferenciadas - que vêm a encontrar no Vampyrico, segurança, estabilidade, conforto, vínculos mais densos com pessoas convergentes, pertencimento e sentido.

Qualquer pessoa que tenha interesse, apreço e sente um envolvimento como o estado de "apaixonado pelo tema" Vamp pode participar.Algumas pessoas as vezes curtem o som de bandas darkwavers ou synth, mas não o suficiente para serem vinculadas ao gótico.Nosso público nos encontros presenciais em sua maioria é composto por pessoas com mais de vinte e cinco anos, diretores de empresas, advogados, médicos, publicitários, gerentes, músicos e afins.Há uma predominância do público feminino muito expressiva na cena Vampyrica paulistana.Mulheres fortes, decididas e ainda românticas.

É legal contar que para participar dos Encontros presenciais, basta apenas a vontade de participar e o ato de agendar sua participação com dois dias de antecedência, sempre pelo nosso email: officinavampyrica@yahoo.com.br.Não precisa ter conhecimento prévio ou dominar o assunto, nossos ciclos de estudos e de práticas, ou ainda os encontros abertos começamos sempre do nível mais básico e fundamental, a exposição de nossas temáticas.Lembrando, que precisa sempre ter pelo menos dezoito anos completos para participar.

Já sofreu algum tipo de ataque (físico, moral, etc) pela escolha de sua atual posição, afinal góticos e RPgistas são os principais "culpados" nos tablóides sensacionalistas.
Lord A:.- Sobre reações ou atitudes das pessoas a minha volta, em geral, recebo a fascinação delas misturadas com uma ponta de temor e de curiosidade.Um olhar que se detêm e eventuais perdas de falas.As vezes também recebo a inveja de alguns e a recriminação por dizer o que penso e fazer o que eu quero, e não o que esperam que eu faça.Aprendí que a longo prazo é muito melhor viver assim. Perder tempo tentando encaixar-se ou adaptar-se as fantasias perfeccionistas do que "esperam" de você é muito desgastante e pouco prático.

Tudo que é alternativo ao repertório da cultura dominante, é sempre "culposo" ou "medonho" para a cultura dominante - E é melhor que seja assim, não estamos aqui para sermos assimilados como um produto cultural de consumo rápido - que será repôsto por alguma novidade igualmente dispensável.Integrantes da Subcultura Vampyrica e tantas outras devem aprenderem a lidarem com isso de forma mais "sábia" tanto ativamente quanto receptivamente.E estarem aptos para defenderem seus argumentos com história, vivência e charme.

O primeiro contato é sempre chocante, mesmo se o "Vamp" sequer está usando um visual de balada...Isto incomoda um pouco as pessoas, é fato consumado.Nos simbolismos associados ao Vamp, existe a questão e a presença de elementos como sexualidade, selvagem, morte, atração planejada...e muitos outros.A simples menção destes temasincomoda e chega a"chocar" bastante quem não está acostumado a este meio.Só que também "somos" pessoas reais, com carreiras profissionais ou universitárias que vivemos com ética, trabalho e justeza de modo anfíbio entre a cultura dominante e a sucultura alternativa que integramos.
O que acontece é que com o passar do tempo, as pessoas vêem e aprendem que você não é aquilo que estereotiparam ou pensavam.Então a convivência boa ou má, vai da relação individual de cada um, tanto social, afetiva, profissional e familiar.Não tem jeito.No geral, penso que a década atual é muito mais branda nas capitais e recebe mais abértamente Vamps.

A MÍDIA: A mídia é tendenciosa, tem discurso e não é (nem nunca foi) imparcial aqui no Brasil.Saber escolher um meio midiático e ter a sorte dele cumprir tudo aquilo que promete, é uma façanha.Nem sempre existem "meios" que emoldurem de forma apropriada ou com o merecido valor que esperamos ver aquilo que vivenciamos - e mesmo que ocorra, nunca vai agradar a todos pois esnobismo, narcisismo ou querer ver representado literalmente o próprio discurso por um terceiro é algo praticamente impossível.

Dificilmente veremos manchete como "homem-branco, cristão, comerciante mata duas pessoas", sendo que basta visitar qualquer tribunal que veremos que homens de todas as cores, credos, profissões e ideologias cometem delítos e crimes de todos os tipos.No entanto, qualquer coisa como homem de preto do mal ataca pessoas inocentes...é caso corriqueiro.As desculpas dos editores para isso são diversas.

O mais interessante é que os crimes e muitos delitos em geral atribuídos ao Vampírico, foram cometidos por pessoas externas não relacionadas e nem sequer vinculáveis ao padrão dos integrantes da Subcultura Vampyrica ou dos muitos apreciadores e simpatizantes das artes.

Acho deplorável e um baita desconhecimento do tema, cada vez que alguma revistéca ou livreto sobre vampiros, associa "serial-killers", pessoas doentes mentais e crimes hediondos ao vampírico - apenas para venderem mais.A apreciação da temática artistica e cultural do Vamp retorna a questão da compreensão do simbólico, do subjetivo e do metafórico no repertório cultural de um meio-social - e jamais da sua interpretação ao pé-da-letra no cotidiano.
O RPG: Este lance do RPG e crimes é uma generalização midiática pavorósa.O jogo no caso "Vampiro A máscara" passa-se em um mundo ficcional baseado em Anne Rice e mitologia monoteísta - nascido na década de noventa.Ele estimula a criatividade e a capacidade de trabalho em equipe dos participantes e incentiva o estudo de história e literatura.O que são pontos bem interessantes e até mesmo utilizados como ferramenta na educação em alguns colégios.Seu primoroso trabalho de arte e escrita, são obras de arte a serem apreciadas e curtidas dentro de seu universo ficcional.

Lá nos Estados Unidos depois do meio da década de noventa teve o caso daquele garoto, que virou até filme uma década depois - ele jogava "Vampiro-A Máscara", só que antes disso já era alguém com problemas mentais e cometeu um ato criminoso devido aos seus problemas mentais e índole criminosa - jamais por causa do "Vampiro A máscara".

Aqui no Brasil, no começo desta década, tivemos uma situação parecida onde uma garota foi morta por causa de dois criminosos - e a mídia tentou associar ao jogo de interpretação e representação de papéis.Isto chama-se "tendencioso" e falta de caráter ou de profissionalismo do meio impresso ou televisivo que permitiu tal atrocidade informacional.

Nestes casos criminosos, o que temos são pessoas com problemas mentais ou criminosos - que já eram o que eram e já cometiam seus delitos sem precisarem de estimulante algum.O RPG nada teve a ver com isso.Tanto que a maior parte dos jogadores ou ex-jogadores de RPG são pessoas como qualquer outras, que dificilmente apresentaram quadros de doença mental ou de comportamento criminoso.

O CEMITÉRIO:Comprovadamente, um cemitério deixou de ser ponto de encontro de "apenas góticos" há bem mais de uma década.Temos desde casais a procura de um cantinho mais quiétinho a traficantes; Até mesmo vigias e coveiros que vendem as escondidas crânios, ossos e órgãos clandestinamente para estudantes de medicina e odontologia.Se bem que este costume data desde o século XVII na Europa e era um dos principais "causadores" de lendas de mortos que se levantam dos túmulos...hehehe...de vampiros a zumbis. Vide o século XVII na Europa, toda cidade que evoluía rapidamente em questões de anatomia e medicina, invariavelmente tinham supostos surtos de mortos-vivos e histerias vampiricas nas cidades do interior e nos seus arredóres - ou em suas estradas comerciais.

Existe muito mais coisa, não realizada pelos "mortos" que acontecem nos cemitérios do Brasil em muitas localidades.Há poucos anos no Brasil, outro doente mental aliciava menóres de idade no interior, usando história de que era um vampiro e tinha que beber sangue e cometer outros delítos e mesmo planejar um crime contra uma mulher grávida. Algo digno de internação e prisão.Algo realmente hediondo e felizmente punido judicialmente.

Apesar de ter evidenciado os aspectos mais negativos da utilização do cemitério ao longo das décadas, existe também uma outra questão fascinante que nada tem a ver com crimes ou obscurantismos - É a temática da Arte Cemiterial e dos cemitérios antigos dos centros urbanos serem tratados como museus ao ar livre.Onde as obras de arquitetura de túmulos, mauzoléus e de estátuas entalhadas por grandes artistas são a grande atração.Aqui na cidade de São Paulo, temos passeios monitorados e organizados pela própria prefeitura para as pessoas conhecerem mais sobre esta temática da arte cemiterial.Tal elemento desperta a atração e o apreço de integrantes da Subcultura Vampyrica, da Subcultura Gótica e de pessoas de outras cenas culturais.A apreciação da Arte Tumular ganhou bastante evidência em São Paulo nesta década com o trabalho pioneiro do escritor e pesquisador Eduardo Rezende.É recomendado que visitem tais necrópolis nos horários de funcionamento delas.

Como você encara o modismo "freak/vamp" que surgiu entre os góticos desta geração? Vejo certa ignorância em atos ocorridos em raves góticas (como se cortar para beber sangue, por exemplo). A Vampyrismo.Org divulga algum material sobre como alertar o entusiasta do vampirismo sobre o perigo de tais atos?
Lord A:.-Assim, este lance de se cortar, de se mutilar ou de querer beber sangue próprio ou dos outros é algo que existe em todo mundo, há muito tempo.Não sendo privilégio de adolescentes ou de subculturas. Na década de setenta e oitenta haviam até mesmo os "bloodsports" entre alguns segmentos mais reservados do BDS&M e mesmo para algumas pessoas da cena gótica paulistana na década de oitenta mesmo. Não é algo novo ou recente.É um fetiche humano em geral relacionado a "sede de poder" sobre terceiros conforme explicado acadêmicamente.

O que acontece é que existe AIDS, Hepatite e uma grande gama de doenças que podem ser contraídas pelo contato ou ingestão do sangue dos outros e não existe uma forma segura de prevenção ou de avaliação sobre se o outro têm ou não tem alguma doença - para uso imediatista ou fora de um centro hospitalar adequado.E mesmo que alguém faça um exame num dia e no outro pratique algo assim e não conte para o parceiro...acontecerá a infecção.Imaginar-se fora disso ou que acontece apenas com os outros é um erro fatal.

Na Subcultura Vampyrica e em outras Subculturas urbanas desde a década de noventa, as pessoas pararam com este fetiche de beber sangue e coisas assim - pelo simples motivo de que pessoas morreram vítimas de doenças contraídas desta forma e pela evidente falta de segurança neste processo.Através do site Vampyrismo.Org e de toda minha obra reforçamos constantemente, que não bebemos ou utilizamos sangue em nossas práticas e que aderimos ao Black Veil desde 2005 quando fui um dos signitários convidados a participar deste código de ética e bom senso Vamp.Não há nescessidade alguma de consumo de sangue para se definir Vamp em nenhuma vertente.

No Brasil mais especificiamente em São Paulo, temos o Dia dos Vampiros todos os anos, sempre no 13 de agosto - onde vamps e pessoas alternativas reunem-se para doarem sangue voluntariamente na fundação Pró-Sangue do Hospital das Clínicas. Penso que esta iniciativa da cineasta Liz Vamp, é a melhor e mais interessante forma de abordar esta questão do sangue no mundo real.Doando sangue em um hemocentro de algum hospital, ajudamos a salvar a vida de até quatro pessoas.Particularmente, muito mais interessante do que qualquer fetiche.

O vampyrismo em apenas uma palavra.
Lord A:.- O sufixo "ismo" também caracteriza importantes movimentos e escolas das artes plásticas, musicais e literárias.Não dá para resumir em uma única palavra, a amplidão do tema é notável e seria desrespeitoso para com este conteúdo, fazer algo assim.