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"(...)Bloom fala da “extraordinária passividade” do Marinheiro. Graham Hough compara a imobilidade do navio com a ` `completa paralisação da vontade”. George Whalley vai mais longe: “A passividade do Marinheiro é também a de Coleridge"(...)”. "(...)Minha leitura de The ancient mariner faz dessa passividade o fato psicológico central do poema. Rejeito as interpretações morais, tipificadas pelo ensaio canônico de Robert Penn Warren. É também dito que o "homem-mulher" é um personagem masoquista, pois ele gosta e aprecia o sofrimento que lhe é causado e ainda anseia é sedento por uma conversão ao atuante, expressa como uma sede de violação a ser realizada pelo atuante. "(...)A fórmula mágica do sacerdote‑deus num culto da personalidade conduz ao intercurso público ritual. Clímax é epifania e transfiguração. Exibicionismo sexual e voyeurismo estão no âmago da arte. Aqui, como em Christabel, a sede de conversão se expressa como sede de violação.(....)" "As sagas do homem‑heroína estão sempre artisticamente ameaçadas pela serpentina dinâmica da auto‑identificação.(...)uma auto‑identificação tão extrema do poeta que, por sentimentalismo, debilita o texto. (...)A rima é mero carrilhão ritualístico, a negra nuvem do destino. As estrofes caem na comédia pastelão e seguem indiferentes.(...)The ancient manner é um dos maiores poemas em inglês, mas o que consegue é quase em desafio à linguagem. Visão e execução muitas vezes divergem barbaramente. (...)Dessa mesma disjunção de forma e conteúdo sofre Poe, herdeiro de Coleridge. Os franceses acusaram os Estados Unidos de desdenharem seu maior poeta, Poe, que talvez soe melhor na tradução de Baudelaire que em inglês. Poe, como Coleridge, é um gigante da imaginação, e a imaginação tem suas próprias leis. Nos contos de Poe e nos poemas de mistério de Coleridge, o daimônico se expressa cruamente. Dioniso sempre sacode as regras da forma apolínea." * Em itálico, extraído de Personas Sexuais de Camile Paglia
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